O tempo do corpo humano é medido pela idade ou pelo que fazemos dele, mas nunca pelo simples entendimento de que podemos ser velhos por nos considerarmos assim ou pelo mau uso da morada da alma.
Somos compelidos a acreditar que, com o passar dos anos, não só adquirimos maturidade, mas também nos despedimos da vida por enfrentarmos enfermidades que nos acometem ao longo do tempo.
Entendemos erroneamente que estamos sendo colocados à prova pelo Pai, mas nem sempre percebemos que somos os únicos responsáveis por cada um dos passos que damos e que podemos contribuir para a preservação ou para a ausência de saúde plena, nos momentos em que nos parece estarmos próximos do fim.
Cabe a cada um de nós buscar entender que o alicerce de uma casa é fundamental para a longevidade de uma vida. Por isso, somos chamados constantemente a cuidar de nossa morada espiritual, pois, assim, quando a maturidade vier, ela poderá ser um momento de regeneração do espírito, com provas de suporte leve e de trabalho fraterno ou poderá também trazer limitações naturais, e também inesperadas do corpo ou ser um momento com dores e ausências, simplesmente por não termos aprendido e trabalhado em nossos próprios momentos de provação.
É preciso que tenhamos sabedoria, humildade e fé, para ouvir cada conselho materno e paterno ou atender cada pedido de cuidado daqueles que nos amam, para que não sejamos levados à possibilidade do sofrimento futuro e para compreender que nada disso tem a ver simplesmente com a idade ou com um castigo divino. Nossas escolhas e nosso livre-arbítrio também podem ter consequências, inclusive as decorrentes das inconsequências juvenis que consideramos como o único caminho, mas que, na verdade, eram fruto da ausência de percepção do futuro vindouro.
A base de nossa morada, constituída já na tenra idade, será sempre a que refletirá o nosso futuro na maturidade.
Como estudantes e amantes desta Doutrina, não podemos conceber que desconheçamos as consequências dos atos impensados ou das ações mal engendradas, que podem se refletir sempre em nós mesmos.
Somos vilões e heróis de nossa própria história e temos a responsabilidade também com os cuidados com a morada que o Pai nos concedeu. Assim, muitas de nossas escolhas podem produzir reflexos em nossa saúde ou na ausência dela. Por isso, ainda é tempo de cuidados salutares com nossa morada. Mesmo quando nos parecer tarde demais, ainda assim é o tempo certo de nos cuidarmos, para que o reflexo do mau uso do corpo em desalinho não reflita no equilíbrio de um espírito em ascensão.
Não se deixe levar pelas falácias do desamor para consigo mesmo e pela ideia de descaso de um Pai que é amantíssimo. Lembre-se sempre de que cuidar da saúde corporal reflete diretamente na manutenção de uma alma sã e capaz do trabalho fraterno, permitindo-nos espalhar esta boa nova, mas também de sermos o reflexo e o convexo do filho que sabe agradecer ao Pai pelo que lhe foi concedido, através do cuidado diário com sua própria morada.
Alimente o corpo e o espírito com o amor, a paciência e a resiliência dos que sabem que a idade nada mais é do que um número registrado em um documento. O que importa é, na verdade, a vida que vivemos em plenitude e com muita fé e amor no coração.
Estejam bem e fiquem sempre muito bem.
Pelo Espírito do Dr. Luiz Carlos Loprestes