O fato de se fazermos parte integrante de uma família é muito mais do que a denominação de filha ou filho, pai ou parente; essa condição vem da ideia da formação de uma família espiritual que não define o papel de cada um, mas, sim, o papel de todos na possibilidade da elevação espiritual, levando-se em consideração a evolução de cada um.
Isso, na prática, teria de ser realizado numa nova oportunidade encantatória, na qual a elevação de uma alma fosse parte da elevação do grupo familiar, não cabendo a ninguém determinar sua força ou fraqueza dentro do ambiente familiar, mas, sim, seu empenho e dedicação a todos os que dele necessitem nos diversos momentos de felicidade ou de ausência dela.
Não fechamos um ciclo, quando descartamos almas pela ausência da vontade de entendimento ou pelo fato de nos julgarmos melhores, mas, sim, quando exercitamos a paciência, a resignação e, principalmente, o perdão que doamos e que recebemos diante de nossas falhas ou ausências.
A sabedoria de uma existência não está somente em conquistar, mas, principalmente, em saber dividir as emoções e opiniões, cabendo ao nosso interlocutor aprender a respeitar e a não julgar o outro, principalmente quando esse outro faz parte de nossa família terrena, que cabe lembrar, teria sido formada na esfera espiritual, considerando-se, principalmente, a necessidade da prática da fraternidade e da humildade entre os pares.
Não somos a palmatória do mundo, nem tampouco sua vítima, somos todos irmãos e irmãs de uma única família, a família de um Pai Amantíssimo, que sabe que Seus filhos têm falhas e que são passíveis de erros e de acertos durante sua trajetória como alma e espírito, mas que nunca deixou de amá-los, de lhes prestar socorro ou de lhes dar o colo amigo sempre que d’Ele necessitam.
É claro que não se espera que todos sejam complacentes nem que deixem de julgar por vezes de forma arbitrária os que não compreendem ainda os Seus desígnios, pois, se assim fossem capazes fazê-lo, talvez não estivessem neste momento onde estão. Ainda assim, esperamos que “as vidas” lhes tragam sabedoria e compreensão da necessidade de novos conceitos morais e de uma nova ética pautada na fé e no amor, transformando tudo isso em fraternidade incondicional para com o próximo e para consigo mesmos.
Compaixão, misericórdia e gratidão são elementos essenciais na construção do caráter espiritual de que precisamos para prosseguir no caminho. Do contrário, estaremos sempre nos colocando em posição de defesa, mesmo quando não somos atacados, o que resulta numa constante sensação de abandono e de tristeza, que pode contribuir para sofrimentos e enfermidades do corpo e da alma.
Aprender a se perdoar, perpassa também por aprender a se conhecer melhor e a entender que todos estamos aqui para estudar e que todos somos passíveis do errar, mas que, principalmente, todos somos capazes de acertar e de consertar o que nos pareça não ter mais solução.
Vamos buscar, na reflexão sobre nossos momentos desta vida, onde foi que nos perdemos e tentar alcançar a possibilidade de ainda nos tornarmos e nos sentirmos uma família.
E, compreendendo que temos que nos modificar para também reconhecer no outro essa mesma possibilidade, elevemos em nossas preces diárias — neste momento mais do que necessárias—, um pedido de misericórdia ao Pai e de auxílio dos mentores da espiritualidade, na tentativa de encontrar um caminho onde todos juntos possamos continuar a seguir, para que, através do perdão, da fé e da esperança, nos seja dada a oportunidade de amar e sermos amados, sem as barreiras da inveja, do orgulho e da impaciência.
E, assim, ao findarem estes dias, que possamos continuar reunidos na Seara de Luz e lá confirmar não só a nossa irmandade, mas, principalmente, que somos integrantes ativos e orgulhosos desta grande família espiritual de amor.
Que Deus nos perdoe, pois também erramos, e que possa perdoar aqueles que ainda desconhecem o verdadeiro sentido da palavra amor.
Que assim seja!
Pelo Espírito de Olga Pereira de Oliveira