EM COMUNHÃO DE AMOR

A comunhão de bens é um jargão muito utilizado no meio jurídico; entretanto devemos também olhar para o seu valor no projeto espiritual dos irmãos e irmãs encarnados.

Quando de nossa união terrena, que já estava predestinada em nosso planejamento espiritual, não nos apercebemos de que é muito mais do que uma conjunção carnal entre duas almas que aparentemente se escolheram e que se uniram dentro da visão humana e cristã através de um simples sim diante dos homens.

Ela é o início de uma caminhada que poderá durar uma vida ou até mais. Entretanto, a partir desta decisão muitos outros fatores se unem além do corpo e da alma, tais como as famílias, os filhos que virão e suas futuras famílias, que um dia irão constituir. Por isso, a comunhão não é só entre duas almas, mas também entre outras, que não será possível de dividir e levar conosco, nem de esquecer, mesmo que não mais se vejam.

Além disso, temos também os amigos que conquistamos e que nos conquistam nesta relação. Cabem aqui, também, os vínculos profissionais que são estabelecidos, mesmo que não sejam compartilhados diretamente, e que se manifestam através das necessidades de apoio, compreensão e até de conselhos profissionais.

E, quando os filhos nos encontrarem, não existirá mais a possibilidade da separação das almas, dos pensamentos e das preocupações que poderão advir de uma mudança de rota, mas existirão também os frutos de bons ensinamentos e de uma boa criação, pelos quais compartilharemos o orgulho das conquistas alcançadas.

Então, se faz necessário que, mesmo que entendam o seu projeto como uma comunhão parcial de bens, saibam que sempre existirá um elo, um vínculo indissociável que nos encontrará em nossos dias na Terra e em nossa Seara de transição e possibilidades, pois foi nela que escolhemos o caminho e aqueles que viriam conosco, e é nela que encontraremos as respostas para nossas pendências pretéritas e as possibilidades do perdão e até da continuidade, em uma nova oportunidade concedida pelo nosso Pai maior.

Compreenda, então, que a responsabilidade destes atos vai além do papel assinado ou de qualquer acordo jurídico, pois estes não fazem ou desfazem o projeto espiritual em nossa busca de redenção e até de renovação das promessas ou pedidos anteriormente firmados. 

Não é o ”sim” que determina o começo, mas o amor, a compreensão, a paciência e a resiliência de quem sabe que é muito mais do que um encontro carnal: é espiritual, é alma e coração envolvidos numa mesma caminhada escolhida.

É muito mais do que “juntar as escovas de dentes”, como escrevem e dizem alguns; é juntar as relações familiares e as amizades que compõem este trato, e, mesmo que não sejam fáceis, que sejam, ao menos, inteligentes e cordiais, para que nada possa definir ou interferir numa relação de amor, respeito e confiança conquistada.

Deus não nos apresenta nada com que não possamos aprender a lidar, se tivermos nos seus ensinamentos a base de uma boa comunhão de amor, de paz e de fraternidade. Sabemos que o contrato não se encerra necessariamente com a morte, mas com o reconhecimento de que, se não chegou a bom termo, é porque ainda não terminou e poderá haver uma nova chance ou apenas a descoberta de que era mesmo o fim para um novo início de caminhada.

Fiquem em comunhão com vocês e com quem amam, mas também com os que ainda não perceberam esta oportunidade. E, principalmente, fiquem com Deus no coração e na alma e lembrem-se de que tudo passa e tudo passará, mas o amor e o perdão, sempre que nos colocam em comunhão, são eternos.

Que assim seja!

 Pelo Espírito de João Ricardo