Pensei em fazer uma oração que me fizesse falar com Deus.
Pensei nos versos e na prosa, na medida e na intensidade.
Pensei em começar com um “muito obrigado”, mas também com um pedido de perdão.
Pensei, então, em falar da beleza das coisas do mundo, mas lembrei-me de que Ele já as conhece e com orgulho. Então, por que não falar das mazelas, das inconsequências da humanidade? Mas isso Ele também já conhece e, na sua infinita misericórdia, ainda nos abençoa e perdoa todos os dias.
Pensei em uma oração que pudesse falar com Deus, mas também com seus discípulos do Consolador. Afinal, somos todos irmãos e irmãs, e queria aqui expressar o quanto sou grato pelo constante auxílio e pela benevolência. Queria também lembrar do meu apreço por cada um que nos conforta e até por aqueles que nos experimentam, como bem nos ensinou nosso Mestre Kardec.
Então, decidi não buscar no dicionário as palavras a serem ditas, mas sim no coração e na razão que me foi permitida ter até aqui. Descobri que a minha oração é baseada na gratidão, na simplicidade dos humildes e na vontade dos sábios de testarem seu conhecimento e sua razão com nossos Mestres, que, de perto, não os contestam ou deles desdenham. Eles simplesmente escutam e, por certo, nos aconselham e nos intuem sobre a melhor forma de agir ou até de reagir neste novo mundo.
Mundo que ainda nos remete ao antigo, porque os homens ainda brigam por nada e sonham com o que não lhes pertence. Agem como irracionais, mesmo quando ainda acreditam ser mais do que racionais. E, nessa compreensão, aprendi que uma oração é um pedido de socorro de muitos, mas pode e deve ser também um agradecimento de todos e, principalmente, que ela é um bom bate-papo com quem amamos e com aqueles que nos amam.
Aprendi que ela deve ser o momento em que podemos falar com o coração e escutar com a razão, para, assim, dizer que ainda temos muito a fazer, a aprender e a orar. Temos de encontrar o momento certo de parar e refletir sobre nossos atos e os dos outros e, na busca de respostas, escutar o que têm a ensinar nossos amigos da espiritualidade, nossos Mestres e nosso Pai.
E, ao findar da nossa oração, que possamos pedir pela Sua intercessão de amor por nossos irmãos e irmãs irracionais e por aqueles que estão em desalinho e se sentindo desamparados, porque ainda não aprenderam a orar e a falar com Deus, mas, o mais importante, não aprenderam a escutar.
Então, hoje, gostaria de pedir que nos deem mais uma chance de resolver o que nos aflige, mesmo que nos pareça não ter mais solução. E também gostaria de agradecer pelo que conquistamos e por tudo aquilo que ainda nos falta.
Agradecer pelo que somos e pelo que ainda poderemos ser, e pela oportunidade de estar aqui e aprender. Muito ainda temos de caminhar, e digo que estamos dispostos e em paz para o bom combate que ainda está por vir.
Agradeço por esta conversa com nosso Pai, com nosso Mestre Jesus e com os Mestres do amor e da esperança, que nos escutam e nos ensinam a orar com fé em prol do outro e dos outros que ainda não aprenderam a orar ou a conversar com Deus. Por eles, pedimos a caridade do amor e a resiliência.
Muito obrigado, meu Pai! Que possais nos perdoar por nossos atos falhos, nossa inconsequência e falta de amor, pois sabemos que ainda temos muito a agradecer, mas, por enquanto e, acho, para sempre, temos muito a conhecer para sermos, um dia, merecedores de Tua Seara de Luz, onde a língua pátria é o amor na constante oração de seus filhos.
Obrigado, Senhor, por mais um dia e por tudo o que nos destes de experiências e de razão. Muito obrigado Senhor!
Que Deus nos abençoe
Pelo Espírito de Lauro Menezes.