Escrever seja, talvez, uma das artes mais bonitas da humanidade e uma das formas mais notáveis de comunicação.
Não tens ainda a dimensão do poder da escrita, enquanto corpo e alma, mas nós a temos em proporções inimagináveis enquanto espíritos.
Quando encarnada, tentei me tornar uma escriba e não tive o êxito que imaginava. Talvez por escrever como homem e mulher, sem perceber que era necessário somente escrever como alma, pois assim poderia captar a essência destes dois mundos.
Talvez porque eu quisesse contar as mazelas do mundo para um mundo que precisava do amor e do romance para se compreender.
Talvez porque não tivesse o talento dos poetas nem dos pintores para descrever um cenário belo e frondoso, calmo e pacífico, como a terra prometida ou, quem sabe, a Seara de Luz que eu ainda gostaria de conquistar.
O fato é que, ao escrever, o ser humano se liberta e liberta a alma de seu leitor, que poderá perceber que existe um mundo melhor, mesmo quando lê um romance realista ou uma história de vida difícil. Ainda assim, terá ali exemplos de como é possível viver em paz, mesmo num mundo de caos, pois aprenderá com seus erros e com os erros dos personagens a viver melhor, a se reconhecer e a conhecer melhor o outro.
Jesus Cristo, nosso Mestre, não escreveu durante sua passagem pela Urbe, mas se cercou de escribas e historiadores que deixaram o seu legado de luz e sabedoria nas Escrituras. A mesma ideia experimentaram outros profetas de seu tempo, que fizeram de suas vidas livros de contemplação.
Depois de Cristo, os mentores de luz nos brindaram com o Mestre Kardec e suas obras de fé, a nos explicar e exemplificar, através dos ensinamentos de Jesus Cristo e das sábias palavras dos Consoladores, o caminho que a Doutrina nos trouxe para trilharmos em direção ao Pai.
Então vieram outros irmãos e irmãs que continuam a nos ensinar a trilhar o caminho divino do amor e a fazer em sua escrita a caridade do saber e da bênção aos que dela se regozijam.
Escrever é uma forma de amor; ler é uma forma de ser amado por aqueles que fazem de sua habilidade uma forma de caridade, buscando alcançar a alma e a razão com seus pensamentos desenhados em letras no papel, para que, em um futuro próximo, possam seus descendentes compreender o mundo através da sua ótica e, então, tirar suas próprias conclusões sobre o quanto é importante viver em paz e harmonia com o outro e consigo mesmos.
Não me fiz escriba por não compreender que muito do que aprendi não queria refletir no papel. Queria desenhar um mundo que não conhecia ainda, mas que já tinha visto em sonhos e memórias que, hoje sei, não eram só meus, mas deveriam ser divididas com outros, para que um dia pudéssemos viver neste mundo de paz, amor e harmonia. Juntos.
Um mundo que Jesus nos ensinou a querer e a conquistar.
Escrevo estas poucas e singelas palavras para você que, como eu, ainda tem esperança de encontrar a paz e o amor ao próximo. Seja ele ou ela, mesmo que distante, mesmo que tão perto, mas que seja amor.
E, se assim o Pai nos permitir, que seja eterno.
Pelo Espírito de Maria Coralina de Jesus