Qual é o nosso papel diante das insanidades e dos desatinos da humanidade?
Qual é o seu papel diante dos desalinhos do cotidiano, em que crianças passam fome e os mais velhos são relegados a um segundo plano e já desconhecem o que é o amor?
Qual é o papel do outro que se diz cristão, que acredita em um Deus, mas é capaz de tirar uma vida ou muitas delas?
Qual é o papel dos que se dizem praticantes da fé, dos conhecedores da doutrina do Consolador, diante dos mandatários e signatários que, a nosso ver, não se importam com o próximo, cuidando somente de sua própria sobrevivência?
Qual é o nosso papel?
Somos todos, participantes da servidão a um Pai que nos ama e que não criou um mundo de eterno sofrimento e vergonha, simplesmente porque não compreendemos o significado de livre arbítrio. Mas, mesmo assim, somos por Ele respeitados, cabendo a cada um arcar com as consequências de suas decisões, como assistimos todos os dias.
O Mestre Kardec nos ensinou em suas obras, que a existência do mal é, na verdade, uma figura de retórica para justificar a experimentação impingida pelo outro enquanto alma e espírito. Ele nos avisou que precisamos estar atentos aos nossos irmãos encarnados ou desencarnados, que podem nos influenciar e nos fazer sentir o que estão sentindo, e que é preciso compreender nosso papel em razão de nossa própria educação espiritual, mas também da possibilidade do aprendizado de uma educação fraterna global, em que tudo o que nos pareça um erro é representado por nossa própria ausência de fé e de compreensão das nossas falhas, que cometemos ontem ou hoje, quando nos foi dada a oportunidade de saná-las.
Esta é a forma que nosso Pai nos concede para buscar o acerto e o perdão, daqueles que sofreram ou sofrem por nossos atos.
Não nos cabe julgar ou mesmo trazer à tona a ideia de que todos nós temos culpa, mas, sim, reconhecer a responsabilidade por nossos atos de hoje ou de ontem, que, muitas das vezes, causam dor e sofrimento a outros que sequer vivenciaram diretamente estas ações, mas que se tornam uma bússola ou mesmo nosso mote de redenção.
Uma forma de nos perdoar e de pedir perdão a todos aqueles que sofrem ou sofreram por nossa simples ausência de fé e caridade.
Não cabe julgar se somos ou não capazes, porque, se aqui estamos a dialogar sobre o amor e a caridade, sabemos que estamos sendo educados para que possamos fazer mais.
Somos um grão de areia no deserto das insanidades humanas, mas temos luz própria e através da fé e do amor, ela pode ser emitida a todos os cantos, como um pedido de paz e esperança. Cabe também acreditar que existe um Deus que nos ama incondicionalmente e que jamais cogitou desistir de nós e, por isso, enviou seu Filho e os Mentores de Luz para nos orientar e guiar no caminho, para que um dia possamos, de fato, chegar à redenção.
A pergunta que fazemos agora é: você, eu e o próximo estamos dispostos a ajudar estes irmãos de luz a educar por meio do amor, não somente os viventes com toda sua incredulidade, mas também os que já se encontram na pátria espiritual ?
Que entendamos, então, qual é o nosso papel: o da caridade, do amor e da fraternidade com todos os que nos cercam.
E que estes também possam, neste momento, usar a ferramenta da fé para levar aos que sofrem e clamam por justiça esta luz, que ora experimentamos.
Uma luz que, quando emitida, carrega a certeza de que somos filhos de um Pai, servos da caridade e irmãos — seja aqui ou acolá, seja neste país ou em outros, seja neste plano ou no espiritual. Somos sempre irmãos que clamam por paz e têm uma vontade imensa de ajudar aos que nos procuram e também aqueles que ainda não compreenderam o seu papel nestes mundos.
“Pai, perdoa nossa insurreição, preguiça e insensatez; perdoa nosso orgulho exacerbado e nossa ausência de fé, pois somos como crianças que ainda não entendem que a verdadeira educação espiritual começa em nós e naqueles que, junto conosco, podem e vão mudar essa realidade.”
Que assim seja!
Pelo Espírito de Natanel do Valle