SER PAI OU MÃE NÃO IMPORTA

Ser pai não se trata apenas de prover, mas, principalmente, de dar providência.

Este conceito, que nos foi imputado num período em que a diferença entre as pessoas era medida por sua capacidade física e profissional, deixou marcas que nos perseguem até os dias atuais, em que o homem é a força e a mulher, a razão e a emoção.

De fato, a diferença entre a mãe e o pai é estabelecida pelas posturas de mando e acolhimento, pela entrega das ferramentas e pelo ensinamento de como usá-las. Ao pai cabe a  força e cabe-lhe se manter firme sempre, pois não lhe é permitido fraquejar. É ele quem deve ser reconhecido como esteio da família, e ao pai sempre restará a palavra final, sem ponderações, seja ela positiva ou negativa. 

E, seguindo esta lógica, caberia à mãe acolher, cultivar e mediar as decisões de ambos os lados, que podem trazer alegrias, mas também dor.

Ao homem não é possível demonstrar doçura, ter um papel de amparo, de paciência e de resiliência na família. 

Ao pai não cabe ser mãe, mesmo quando a família moderna descobre que ambos são e têm de ser o esteio afetivo e econômico da casa.

Em tempos atuais, já se faz necessária a divisão das responsabilidades e o reconhecimento do valor do trabalho, cabendo ao pai e à mãe compartilhar os ensinamentos de vida com seus filhos e também ser o porto seguro emocional e espiritual. Por isso, é preciso reconhecer que ao homem, enquanto pai, cabe, sim, ser amoroso, dedicado, sensível e fraterno tanto quanto a mãe.

O pai não será nunca uma rocha pura, sem que aprenda a entender os sentimentos e as aflições dos seus; por isso, é preciso estar atento e vigilante sempre que apareça algum sinal de inconsistência e desalinho no lar. 

É preciso abrir o coração e a mente para perceber a hora certa de se transformar em alguém dócil e carinhoso, que acolhe e escuta seus filhos, para poder auxiliá-los nesta estrada que eles escolheram seguir.

Ao pai cabe também a oração e a intercessão junto aos céus e aos mentores espirituais por seus filhos, por sua esposa e pelos que dele necessitam.

É uma grande falácia acreditar que somente a oração materna cura e salva. Afinal, todos somos capazes do auxílio, da vigilância plena e também do socorro espiritual sempre que for necessário. Para isso, basta compreender que somos filhos de um único Pai, com os mesmos instrumentos e a mesma força concedidos, tanto às filhas quanto aos filhos, e não existe diferença quando somos chamados ao auxílio fraterno.

Dar amor, ser paciente e resiliente não é privilégio de ninguém; é uma obrigação de todos, seja pai ou mãe, avô ou avó, irmão ou irmã. Esta sempre será a nossa missão de vida, para que um dia alcancemos a Seara de Luz e, então, possamos continuar a ser pais, daqueles que foram nossos filhos e, quem sabe, se assim Ele permitir, retornar em papéis trocados, para outra experiência, mas com a nova consciência espiritual de que devemos ser e fazer o melhor que pudermos pelo outro,  tanto por aqueles que nos cercam ou quanto pelos que venham nos procurar. 

Que possamos sempre ter a certeza de que o amor é o mesmo, seja de pai ou de mãe; sempre será eterno e vigoroso, para que possa atingir o seu objetivo de amparar e cuidar dos seus, assim como o Pai cuida de nós. 

Que sejam sempre dias de luz!

Pelo Espírito de Antônio Duarte