A MORTE É SÓ UMA PASSAGEM PARA A VIDA

Como é difícil conjurar a morte como um elemento de qualidade espiritual, quando somos levados à sensação do místico estado de “sombritude” e de deserto diante da  possibilidade da passagem.

Entendemos, simplesmente, que fechamos os olhos do corpo e do coração e esvaziamos a mente de toda e qualquer razão. Esquecemos de refletir que, na verdade, estamos modificando nosso endereço, deixando o lar terreno e ocupando o lar espiritual.

Não percebemos o quão salutar é, em muitos casos, abandonar uma casa degradada e doente para habitar uma casa etérea e saudável. É claro que temos que considerar o processo mental com o qual  concebemos nosso novo espaço, pois isso, faz a diferença na compreensão do novo endereço a ser ocupado ou mesmo na possibilidade de  continuarmos presos aos anteriores.

Entretanto, somos todos fraternalmente conduzidos ao grande ambulatório espiritual para concluir, de maneira tranquila, nosso processo de transição, o que nos dá também uma vantagem quando ainda não temos esclarecimento suficiente a respeito do significado de nosso  desenlace.

O fato é que o Pai engendra uma grande força espiritual para cuidar e amparar os que se tornam os ditos falecidos em nosso plano terrestre.

É fato também, que ninguém parte de véspera ou é levado ao acaso para seu novo lar, pois, apesar de não aceitarmos, enquanto almas encarnadas, tudo foi meticulosamente planejado por nós e nossos amigos espirituais.

Então, que mal pode haver nesta transição, a não ser o mal que nós mesmos geramos em nossa mente ou somos compelidos a aceitar por nossas ações pretéritas, já que não entendemos os verdadeiros motivos nem mesmo de um aparente desenlace não autorizado ou concedido após uma desavença momentânea?

Se fosse tão simples compreender a morte, seríamos, talvez, mais felizes com a vida, pois desfrutaríamos dela com avidez e perseverança, sem nos incomodarmos com datas pré estabelecidas por nós mesmos e pelos amigos da espiritualidade, apesar de este ainda ser uma ato de nossa vontade única e pessoal, acordada previamente.

Quando entregamos nossa vida aos céus, compreendendo tê-la vivido ao extremo, não o fazemos com total consciência, pois, se assim o fizermos, significa que não aprendemos que ela é uma ferramenta emprestada por Deus e só a Ele cabe o entendimento e o tempo de recuperá-la.

Não se julgue e não se condene, tal qual um carrasco da Inquisição. Somente o amor pleno, a fé e a maturidade espiritual, lhe explicam a possibilidade da transição; o resto são somente conjecturas infundadas do misticismo de quem se acredita pronto para se tornar o profeta divino.

Somos todos passíveis do desenlace, isto é uma certeza. Entretanto, não cabe a nós chorar pelo que se foi, mas, sim, agradecer pela oportunidade a ele oferecida e pelas conquistas, entre elas, a de ter deixado pessoas capazes de amá-lo para sempre, mesmo quando o choro vier e a saudade apertar.

Existe uma crença popular de que, quando há amizade e amor verdadeiros, não existirá distância capaz de separar corações e almas que se amam.

Deus os abençoe e os ilumine.

Viva a vida!

Pelo Espírito do Dr. Aguiar Mancini