É muito triste perceber que somos todos filhos de um único Pai, mas nos parece que recebemos uma educação diferente ao longo da vida.
Digo isso porque é fato que cada homem e mulher interpreta a lei a seu prazer, sem se importar em olhar para trás ou mesmo para o lado e perceber o mal que pode estar causando aos outros.
Somos todos pastores de ovelhas desgarradas, pois, mesmo sem querer, influenciamos pelo menos duas pessoas de nosso convívio, que podem e vão influenciar mais duas, e assim fundamos nossa seita de ideias, carregadas de ódio, de descrença na verdade e de desamor. Tudo isso em oposição ao que o Pai nos ensina ou mesmo nos fala através de suas mensagens enviadas a todo momento, mas pouco entendidas pelos seus filhos.
A misericórdia divina não é um prêmio de consolação, tampouco uma falácia de mentores espirituais e mestres do divino saber. Ela é, sim, uma forma de viver, uma maneira de ver as coisas e as pessoas, oferecendo a elas a oportunidade de continuar, de se retratar não só com o Pai, mas também com os seus e com todos os que as cercam.
Somos todos capazes de perdoar, mas raramente o fazemos completamente, pois julgamos sem ter a sabedoria e as respostas possíveis.
Enxergamos no outro somente as diferenças: de crença, de cor, de língua e de vida, mas não percebemos que ele é um semelhante, alguém que experimenta as mesmas dores e tem as mesmas oportunidades. E, mesmo que você não queira admitir, somos irmãos, filhos de um mesmo Pai, que nos acolhe e escuta sempre que a Ele recorremos.
Um Pai que nos espera todos os dias de braços abertos para que possamos retornar ao nosso lar em paz.
É difícil acreditar que os homens e mulheres de toga e batina, de terno e ornamentos, ainda não aprenderam que o amor é a única resposta e que a fraternidade e a caridade são as melhores soluções.
E por isso oramos:
Senhor, perdoe Teus filhos e filhas que lutam entre si e não são capazes de Te escutar, pois se tornaram cegos e surdos, mas não mudos, pois ainda utilizam o Teu Santo Nome em vão.
Senhor, perdoe-os, porque eles não sabem o que fazem.
Que a paz possa reinar novamente no coração dos homens e que Deus nos abençoe. Amém!
Pelo Espírito do Padre Júlio Maria.