A vida tem nuances e cenários que não compreendemos num primeiro momento.
Todos somos impelidos a aceitar ou não o que nos dizem se tratar de uma suposta normalidade de ações e reações em nosso cotidiano.
Uma das mais importantes é a de compreender que, em uma sequência natural, os pais cuidam dos filhos, assim como os filhos irão cuidar dos pais. Mas esta naturalidade é quebrada quando percebemos que pode acontecer de avós cuidarem de netos e tios cuidarem dos seus sobrinhos e vice – versa.
O que não se encaixa neste contexto é quando aqueles a quem confiamos a vida, eleitos como amigos de fé e irmãos nessa caminhada, passam a ser nossos anjos da guarda e, literalmente, nossos padrinhos, e os padrinhos de nossos filhos, pois, mesmo sem o rito, cumprem o princípio do ofício do batismo.
Tais ações e reações podem ser explicadas pelo simples processo da geração de elos que nos interligam e que advêm de concessões e interações de um passado, um presente e até do futuro.
Somos todos levados a buscar explicações complexas para entender os motivos que nos levam a amar o próximo e reconhecer nele uma irmandade que não segue os padrões de normalidade impostos pela contemporaneidade.
Sendo simples assim, Deus nos ensina, Jesus nos demonstra, a fé nos move e os espíritos se congratulam com a frase: “Amai ao próximo como a ti mesmo e a Deus acima de tudo”.
Frase que parece simples, mas é complexa, pelas ações necessárias que ela nos impõe no dia a dia de uma vida atribulada e tediosa, que nos leva, muitas das vezes, a não perceber que estamos sempre em sintonia com aqueles que nos cercam e que os pensamentos, lembranças e até a saudade nos mantém interligados de alguma forma.
Para se ter uma ideia melhor, mesmo em planos diferentes, continuaremos juntos, interligados pelo dom do amor e pela força da compreensão de que os elos de uma vida não se partem com a morte ou o desencarne.
Nada é mais natural do que a convivência amorosa entre entes queridos e amigos que, mesmo que distantes, não se esquecem de lembrar do outro, do seu próximo, de seu elo espiritual. Apesar de, em alguns momentos, nos focarmos apenas em exemplos de descontrole de famílias que ainda não compreenderam seus desígnios, isso acaba por nos levar a acreditar na ilusão de que não existe um elo que os interliga — o que, na verdade, não acontece —, pois ele existe, mas necessita se fortalecer pela resiliência e compreensão de uma das partes, que fará de sua vocação de amar incondicionalmente aquele que lhe é próximo sua missão, pois esta foi uma escolha pretérita.
Todos somos, como se diz no jargão jurídico, “detentores de uma cadeia de custódia”, responsáveis por uma ou mais pessoas que não estão ao nosso lado ou que cruzaram nosso caminho por um motivo real e, por que não, divino, e por isso merecem nossa total atenção.
Não basta aceitar o outro, entender seus defeitos e se posicionar pelo que se tornou politicamente correto a se fazer; é preciso estar atento e aberto ao amor, à compreensão e à fraternidade, para continuar a moldar os elos que são forjados a cada nova vida, a cada novo momento, pelas mãos de um Pai que está presente em todos os momentos, mesmo nos que nos parecem ser os piores.
Aceitar e acreditar que estamos todos a serviço do amor, principalmente ao nosso próximo, torna nossa vida menos enfadonha, tediosa e, porque não dizer, difícil.
O ato de amar é o que nos coloca mais próximos de Deus.
Pelo Espírito do Dr. Armando Aguiar e colegas