A natureza nos surpreende a cada momento, nos revelando suas belezas e nos cobrando por nossas mazelas.
Sem perceber, somos todos soterrados em nossas próprias criações e frustrações que, independente, da cor, do sexo e da nacionalidade, encontram disposição para interferir e ferir a sua própria casa.
Há muito, temos percebido que o mundo mudou, o clima mudou e o ser humano não.
Parece que esquecemos que, antes de mais nada, ser cristão é também preservar o amor do Pai, impresso e incorporado nas pequenas belezas naturais criadas.
Esquecemos que todos nós temos o direito a uma vida justa e feliz, e que, muitas vezes, somos banidos para as encostas, para as margens dos rios e para os lixões. E, quando ela, a natureza, segue o curso que nós mesmos traçamos, o que encontramos é destruição e o desenlace de almas que nem conseguiram terminar suas tarefas pela ordem natural da vida e são compelidas a voltar para a Seara do Pai, para que então possam retomar o caminho.
Nas florestas, há muito estamos ceifando a vida de nossos irmãos, destruindo um espaço que também serve aos nossos encontros com a fraternidade universal.
Tudo isso porque não aprendemos a única verdade que será eterna: esta é nossa morada, nossa vida, e dela temos que cuidar sempre.
Porque ser cristão é pensar no outro, é cuidar do outro e, por isso, precisamos aprender que, quando cuidamos de nossa casa, estamos cuidando de nosso próximo.
Já não basta o fato de lutarmos para conquistar o espaço alheio, com nossas guerras sem sentido?
Juramos proteger e cuidar da Urbe, mas despejamos nosso rancor junto com nosso lixo em qualquer parte, a qualquer hora.
Se vamos orar e pedir ao Pai que proteja e ampare nossos irmãos e irmãs enlameados, desabrigados e em desalinho, vamos também pedir que nos perdoe por não termos simplesmente jogado aquele copo de plástico no lixo. Afinal, sempre acreditamos que não faz diferença bilhões de pessoas praticarem o mesmo e simples ato.
Ser espírita e ser cristão é também vigiar e cuidar de nosso planeta e seguir com nossos irmãos para cuidar da natureza. Quando orarmos, que possamos pedir perdão por nossos atos e pela ausência de ações daqueles que deveriam cuidar de nós.
Que o Pai saiba o quão gratos somos por todas as possibilidades e oportunidades que nos deu, pelas novas tecnologias e pela comodidade que elas nos proporcionam. Que saiba também que somos gratos pelo Seu amor, representado nas belas paisagens e nas pequenas flores que rompem as paredes para nos brindar e nos lembrar de que Deus é por nós e que todos devem ser pela Sua obra, por Seus filhos, nossos irmãos e irmãs, filhos da natureza.
Que a espiritualidade possa socorrer todos os que se encontram desabrigados, enlameados, cobertos pelo rancor destilado pelos seus irmãos e vizinhos.
Que lhes dê abrigo e proteção, mas também ensine que amar ao próximo e a Deus é também proteger e honrar nossa casa, nosso mundo, Gaia.
Que a paz preencha o coração de todos nós.
Pelo Espírito do Monge Nyi ma (Sol)