Saudade de um tempo fácil, de criança brincando em chão de terra batida; da conversa fiada em um dia manso e tranquilo.
Saudade de um tempo em que sofríamos a dor do vizinho, dos amigos próximos, porque não passávamos da rua direita, da esquina, do cruzamento. Nosso mundo não era grande e nem sequer podíamos percebê-lo, senão na venda, quando o rádio nos dizia que o outro lado do mundo estava brigando, mas nunca entendíamos o porquê.
Saudade das almas irmãs, cúmplices de uma vida que tinha começo, meio e fim.
Saudade de você e de mim, do outro e daqueles que perdemos no caminho.
Saudade !
Mas um dia acordamos e lá estávamos, todos juntos novamente, na mesma rua, no mesmo ponto de partida, mas agora em espírito, em conluio com Deus e amando cada vez mais nossos irmãos, que nos ensinam que saudade é uma palavra única e só pode ser usada por amor.
Por amor ao outro, que ainda nos espera, mesmo sabendo que vamos demorar a voltar.
Por amor ao que partiu, mas já voltou para casa e manda lembranças.
Por amor à vida, que não é só nossa, mas de todos a quem abraçamos e a quem bendizemos: saudades!
Que hoje possamos matar um pouco dessa saudade bendita, e compreender que é bom lembrar, é bom viver, é bom sentir saudades.
O tempo mudou e nada é tão simples, mas continuamos a sentir uma vontade danada de ter saudade,agora, porém, com o coração leve, a alma lavada e o espírito em festa, porque temos a certeza de que amanhã, quando acordarmos, estaremos juntos novamente. Porque é assim: mesmo distantes, do outro lado dos mundos, nós continuaremos juntos, pois é e sempre será, como o Pai quer.
E, Ele quer que sejamos unidos pelo amor, pela dor, pela saudade, mas juntos e para sempre.
Saudades de um tempo fácil. Mas quem disse que não pode ser agora?
Que Deus abençoe e guarde a todos nós.
Pelo Espírito de Cecília Muller