Durante nossa estada no plano terreno, era muito comum dizer que “ vivíamos pisando em ovos ”, expressão antiga, que resume muito bem a sensação de constante vigilância pela qual passamos.
Vigiamos a todos e a tudo em determinado ponto da vida ou da profissão que desempenhamos.
Estamos em constante estado de alerta, desde o nascer do dia até o pôr do sol, sempre nos preocupando muito mais em parecer do que ser.
Conversamos com os dentes cerrados, na expectativa do ataque do outro.
Caminhamos com os punhos fechados, à espera do que pode acontecer.
Jamais confiamos no outro, mesmo que este seja próximo, pois a simples possibilidade de sua existência já é um motivo para desconfiar.
Propomos-nos ao crescimento profissional e carnal, mas por inveja daquele que ocupa os altos postos e com o ostenta corpo que continuaremos a cultuar, mesmo depois de alcançarmos tais objetivos.
Vivemos na berlinda, porque nos colocamos nela.
Sonhamos com coisas simples, mas acreditamos serem um pesadelo, pois só interessa o estrelato.
Enfim, caminhamos a passos largos para alcançar a maturidade e, quando a descobrimos, percebemos que estamos doentes, mental e fisicamente, e que nada disso importa. Passamos, então, a driblar a senhora da foice e do capuz, com a mesma ânsia que vivíamos anteriormente.
Nunca mais relaxaremos. E, quando fizermos a passagem, demoraremos mais tempo ainda para entender que a verdadeira dádiva da vida é vivê-la em prol do amor, na tranquilidade da família e dos amigos, com paciência e resignação.
De nada valem os murros que damos, tampouco os que levamos, pois eles não mudam a vida. Apenas nos sentimos estranhamente realizados, mas, na verdade, descobrimos que ainda não somos.
Percebemos que não é nos armando com dentes e punhos cerrados, que enfrentamos nossos medos, que são só nossos, mas sim, quando compreendemos nosso papel em relação ao outro, em relação ao mundo, na consciência de que só você pode realizá-lo. Não existem coadjuvantes, nem sequer dublês, somente a constante consciência da vontade de concluir nossa participação em paz.
Somos voluntariosos e ambiciosos, mas, mesmo neste ponto, aprendemos que temos que ser calmos e constantes, pois, como já dito: o final todos conhecemos. O que vai importar é a continuação deste monólogo, que, se não se tornar coletivo antes do fim, com certeza se tornará depois, você querendo ou não.
Temos que estar preparados para continuarmos a caminhada com vigor, mas com muito mais amor;
com dúvidas e anseios, mas com paciência;
com vontade de lutar, mas com esperança e paz.
Não espere virar a página, para descobrir que podemos nos tornar melhores, pois isso é extremamente fácil quando tens a fé como guia e o amor como escudo e espada.
É fácil, para aquele que leu o roteiro do Pai e descobriu que, na verdade, não era preciso lutar contra o outro, mas lutar pelo outro e ao lado dele.
Abrandemos nosso coração e tenhamos na compaixão a verdade do mundo. Sigamos o roteiro de Jesus, que teve dúvidas, mas sempre a certeza de que estaria pronto para continuar, pois não “pisava em ovos”, mas, sim, em terra firme, na convicção de que somos todos capazes de amar, confiar e acreditar no próximo e em Deus.
Independentemente do que a vida nos traga e apresente, somos capazes de viver sem perder a melhor virtude doada ao ser humano: a paciência.
Acredite, tudo isso vai passar. Todos vamos continuar seguindo nessa estrada, mas lembre-se: ela não é o fim, mas um recomeço, que será muito mais fácil se você tiver fé em si e no seu próximo.
Deus, Pai Eterno, abençoe seus filhos e dê-lhes luz e paz para que possam continuar a rodar o filme de suas vidas.
Pelo Espírito de Carlos Augusto