A confiança não é um ato mágico e imediato que, num simples piscar de olhos, se torna uma certeza absoluta. Ela é conquistada, principalmente, entre homens e mulheres que muitas vezes não conseguem abrir um espaço saudável em seu coração e na sua razão para deixar o outro se aproximar.
Mas também não pode ser uma inconstância em sua vida só porque um dia você errou em confiar em alguém, pois o fato é que vivemos em comunidade e o princípio da fraternidade é confiar, auxiliar o próximo e acreditar que ele também virá em seu auxílio.
Não é uma regra, mas é o que nos ensina o Mestre Jesus e é o que escutamos sempre que estamos em sintonia com nossos irmãos espirituais, pois, sem a nossa confiança plena em seus conselhos e inspirações, como seria a nossa relação de amor e perdão mútuos?
Confiar não é uma regra exata, pois existem formas e formas de confiança, mas uma única norma real é a de que não duvidemos de nossa confiança em Deus, em Seus discípulos e nos amigos da Ordem do Consolador, pelo simples fato de não sermos capazes de desconfiar do Criador e daqueles que nos orientaram e orientam desde os primórdios de nossa atual existência terrena.
Seria, no mínimo, difícil e talvez até impossível de continuar o caminho sozinhos, se não mais confiássemos nem em nossa essência. Seria como se estivéssemos em uma constante vigilância insensata, esperando pelo golpe certeiro que, a qualquer momento poderíamos sofrer.
É preciso compreender que a confiança se conquista com o tempo, com um bom relacionamento e até diante de um perigo iminente. E cabe lembrar que somos capazes de estar ao lado outro, já que isso está impregnado em nossa alma, quando damos oportunidades aos nossos irmãos e irmãs de nos abraçarem e, de mãos dadas, chegamos até aqui.
Ao conhecermos o outro, que, a princípio, nos parece um estranho, não se faz necessário lidarmos com desconfiança, pois temos que nos lembrar de que todos estamos aqui na busca do perdão e do recomeço. Esse estranho de hoje, pode e deve ser alguém que já lutou junto de nós, que já sofreu conosco e que já confiou em nós. Enfim, pode ser alguém com quem devemos nos educar para a confiança mútua, porque talvez isso não tenha sido possível no passado, por causa de circunstâncias que não soubemos controlar. Por isso, existe a necessidade de dar um crédito e iniciar um novo caminho que, na verdade, nós mesmos escolhemos seguir.
Não digo aqui que existe uma confiança plena naquele que nos foi apresentado hoje, mas, sim, que precisamos aprender a confiar, pois, senão, nos tornamos escravos de uma desconfiança eterna.
E lembro que confiar em Deus não é uma opção; é a razão para continuarmos a seguir em frente. E, quando nos damos a oportunidade de confiar em nós mesmos, aprendemos de imediato a confiar no próximo.
A confiança é um elo forte de uma vida plena e feliz, pois nossos maiores anseios advêm da desconfiança e do descrédito, o que nos torna fechados, sem dar à vida e ao outro a oportunidade de aprendermos com os erros e acertos do caminho. Então, como vamos saber se não dermos uma chance ao amor, ao perdão e à confiança em nosso irmão?
Que o Pai possa lhe dar toda a confiança do mundo para compreender que, com amor e com fraternidade, sempre estaremos no caminho certo.
Que Deus e a espiritualidade maior possam confiar em nós, para que amanhã continuemos a seguir com confiança em direção da Casa do Pai.
Que assim seja!
Pelo Espírito de José Carlos Arantes