NÃO EXISTE A VITÓRIA OU A DERROTA

Ganhar ou perder no mundo terreno, tal qual em parcos momentos no mundo espiritual, é uma condição de pensamento errôneo e de desconhecimento das leis naturais do amor.

Tal condição de vencedor ou perdedor é subjetiva, diante do que isso possa desencadear no plano terreno e de como possa afetar o espiritual.

Partimos do princípio de que não pode ser uma consequência divina, se não tivéssemos  consciência do quanto isso poderia afetar o outro. Afinal, é nossa missão amar e cuidar do próximo antes mesmo de pensar em nosso próprio bem-estar.

Por outro lado, se seguirmos a teoria do efeito borboleta, segunda a qual uma batida de suas asas num lado do globo poderá causar intempéries do outro, percebemos que tomar uma atitude única e personalista poderá nos fazer bem, mas o que ocorrerá com o próximo que poderá estar ao nosso lado?

Por isso, seguindo o raciocínio prático e primitivo do conceito de vitória de um diante do outro, podemos nos afeiçoar à ideia de que Cristo perdeu a sua vida para que pudéssemos ganhar uma nova. Mas todos sabemos que este é um pensamento simplista de quem não quer realizar uma reflexão sobre o porvir.

O fato é que, se pudéssemos empatar todos os desafios, essa seria, talvez, uma solução misericordiosa diante das bem-aventuranças do Pai. Entretanto, Ele não tem parcialidade, como tantos apregoam. O Pai nos apresenta as possibilidades e também as consequências de nossos atos, pois, se a vitória consciente e consequente é nossa, ela não será a derrota do outro, mas, sim, uma mudança de caminho e de destino de tantos que agora se apercebem de que fazem parte desta equação divina.

É preciso que tenhamos fé, mas também que tenhamos consciência quando buscamos a vitória ou elegemos o vencedor, porque nenhum dos dois existe em sua totalidade; simplesmente fazem parte das necessidades espirituais daquele momento, precedendo tantos outros que virão.

Na ideia da regeneração, devemos nos apegar mais à possibilidade de auxiliar o próximo do que à de buscar nosso próprio benefício. Devemos reconhecer que a guerra diante dos inimigos que já nos foram apresentados, não passa de uma etapa de nossa caminhada, uma experiência para aprender com as vitórias e derrotas. É, sim, uma tarefa individual num primeiro momento, para então se tornar pública e coletiva, a partir desta nova consciência espiritual e moral. 

Não crie ou deixe de criar expectativas e certezas sobre o caminho a percorrer, porque, ganhando ou perdendo, aprenderá a observar o que isso significou na vida dos seus irmãos e o que pode realmente ganhar com tal experiência.

Deus não tem lado, Ele está do seu lado, assim como do lado do outro, porque Sua proposta para nós é a de que possamos vencer esta dualidade e amar a multiplicidade de ações, de esperança e de fé incondicional. Para isso, observe de forma plena e com a isonomia de um espírito em busca da paz e da verdade, e lute pelos seus irmãos, pelos conhecidos e desconhecidos, pelos que sofrem, pois esta é a vitória perseguida: ajudar o maior número de almas necessitadas que pudermos e, assim, alcançar o pódio da misericórdia divina, que nos fará vencedores, conosco e com o outro, com a fé e com Deus.

Seja sempre um vencedor de tuas próprias batalhas e conquistará a honra de ter a seu lado tantos que de você sempre necessitam.

Deus os ilumine.

Pelo Espírito de Pedro Alcântara de Sá