A humildade não é uma conquista fácil; ela é constituída a partir de pequenos gestos, tal qual tijolos na construção de uma morada segura para a alma.
Quando perseguimos a humildade, não o fazemos por um simples ato de vaidade, ou, pelo menos, não deveríamos fazê-lo, mas, sim, pela busca do fortalecimento moral e espiritual e pelo desapego aos prazeres mundanos que experimentamos cotidianamente. Mas também o fazemos por sentirmos na humildade o encontro com a paz de espírito e de alma, pois, já não nos faltam nenhuma veste nem talentos necessários para o nosso provimento carnal ou espiritual.
Ser humilde não constitui um simples ato de desapego dos bens materiais, a nós concedidos pela benevolência divina, pois seria negar a utilização de uma importante ferramenta, que deverá ser utilizada em prol dos que nos suplicam socorro.
Ser humilde é aprender a sobreviver com muito, mas sem depender disso para viver em paz.
Ser humilde é usar do saber abundante em prol do outro e não para conquista própria. É aprender a ensinar a aprender.
Ser humilde não dispensa a necessidade de ferramentas para vivenciar as agruras dos mundos, mas exige, principalmente, que saibamos utilizar de seus recursos para o socorro fraterno dos que se encontram ao nosso lado, envolvidos pelos fluidos do desamor.
Ser humilde é aceitar que nada nos é dado em vão e nada nos é cobrado sem que possamos dedicar nosso tempo e nossos recursos para saldar as dívidas de nós mesmos e daqueles que nos cercam.
É trabalhar em constante vigilância para, então, cruzar a linha que separa a verdadeira humildade do exacerbado e constante teatro da pobreza carnal e espiritual, desenvolvido por alguns. Pois ser pobre não o torna ninguém necessariamente um humilde, assim como a pobreza não deve ser confundida com a humilhação que alguém possa impor a si mesmo.
A humildade não advém da ignorância, da ausência de educação nem tampouco do sofrimento constante pela falta de alimento. Pelo contrário, serás humilde quando puderes auxiliar, ensinar e aprender, alimentando-te do amor, da fé, e da razão que reconheces em ti mesmo e no próximo.
Ser humilde é o ser aquele que já aprendeu que tudo lhe foi emprestado pelo Pai, para prover sua caminhada, mas, principalmente, para ajudar o próximo, seja com bens materiais, seja com bens espirituais.
Os humildes herdarão a casa de meu Pai, já nos disse o Mestre, e serão bem-vindos, pois neles a espiritualidade encontrará apoio para continuar a desenvolver o trabalho fraterno, a caridade, pois humildade é, antes de mais nada, trabalhar em favor do outro sem que se espere alcançar a recompensa imediata.
Sede humildes, agora e sempre.
Pelo Espírito do Padre Júlio Maria