EM DESAMPARO

E tudo parecia distante, mas estava perto. 

Cercado pelas montanhas que delimitam a visão, mas emolduram uma bela tela. 

O lugar estava repleto de sons e de paz, no entanto, existia aquele que não conseguia se sentir pleno, adaptar-se ou aproximar-se dos amigos.

Ele experimentava uma sensação de abandono, de solidão, mesmo estando junto a tantos que lhe importavam.

É assim que muitas das vezes —  nestes momentos de sintonia com nosso próprio Umbral —, mesmo juntos, nos sentimos sozinhos, pois nosso espírito parece não querer estar conosco. 

Estamos acordados, vivos, mas nos sentimos presos em um lugar menor, aonde a luz não chega, onde não sentimos a brisa e as montanhas se tornam os muros de nossa prisão.

É preciso, então, compreender que estamos necessitados do amparo espiritual, mas também do amparo psicológico e médico, algo que temos que buscar o mais breve possível.

Temos também que compreender que não estamos sozinhos, pois vibram conosco aqueles que se encontram aprisionados em si mesmos, em seus próprios mundos, à espera do socorro que, com certeza, chegará. 

A vida material e espiritual nos levam a estes momentos de lamúria e de desconsolo, nos quais precisamos estar aptos ao autoconhecimento e nos agarrar à nossa fé. E, então, nos libertamos rapidamente das raízes que vão sendo espalhadas pelos pensamentos negativos, cuja existência, muitas vezes, só percebemos nos breves momentos de lucidez.  No entanto, continuamos a nos deixar fixar neste solo pantanoso da obsessão. 

Somos capazes de reagir, mas não o fazemos, pois os fios condutores de outros nos impregnam de desespero e nos deixam desamparados.

O Pai, em Sua infinita misericórdia, nos envia sinais e Seus discípulos em nosso socorro. Ele jamais nos deixaria persistir em tal situação de sofrimento sem tentar nos auxiliar, quantas vezes forem necessárias. 

Somos iluminados por Seu amor, por meio do socorro consolador dos mentores superiores, que penetram em nosso mundo e nos impulsionam para fora do casulo que se formou em torno de nós.

Podemos, então, novamente respirar, nos soltar das amarras e desligar os fios que nos impediam  de seguir em frente até aqui. Estaremos, então, aptos a nos encher de fraternidade e a receber o amparo dos laboratórios psicológicos, sob os cuidados  de amigos da medicina mental e sob a orientação da Veneranda Irmã Joanna de Ângelis.

Lá, retomaremos a paz do espírito e, assim, também a sentiremos no plano material, pois estaremos  novamente de posse de nossas faculdades mentais. Dessa forma, corpo e espírito estarão juntos novamente, experimentando a alegria daqueles que nos cercam.

Encontraremos força e fé para o recomeço, tomando doses de prece e recebendo passes fluidificadores que nos preencherão a mente e o coração.

Podemos novamente caminhar em direção ao pôr do sol para, então, sentarmos naquela pedra e agradecer pelo dia e pela noite, por todos e por nós mesmos, pelo amor e pela paz. E, quando a lua surgir, vamos descansar, porque amanhã será um novo dia e estaremos juntos, a caminhar e, agora, também a socorrer os que estão nas sombras, encapsulados, para que eles possam experimentar o amor, o consolo e toda a misericórdia de Deus.

Que a paz e a luz sejam uma constante em sua caminhada.

Pelo Espírito do Dr. Antonio Carlos.