Há muito tempo nos é ensinado que existem dois tipos de olhar: o que é feito com os olhos da alma, do coração e até do espírito e o olhar humano, que muitas vezes, não se encontra em sintonia com a razão, com o bom senso e com o pensamento fraterno, para não dizer que, na maioria das vezes, não leva sequer em consideração as emoções.
Quando paramos para refletir, entendemos que se faz necessário um constante exercício de aprendizagem e prática, para que possamos perceber a necessidade do desvelo sobre o outro e até sobre o contexto que nos foi apresentado. Assim, podemos compreender que o que estamos vendo nem sempre corresponde à realidade nem tampouco aos processos espirituais em que somos colocados à prova.
Somos compelidos a enxergar através da sintonia de pensamentos e da intuição de irmãos e irmãs, que, na verdade, nos cegam e nos induzem a acreditar que o que estamos vendo através da cortina é a única verdade possível.
Outras vezes, somos nós mesmos que, por ausência de paciência, razão e benevolência, julgamos os fatos não a partir das possibilidades prováveis, mas a partir de decisões precipitadas de quem não tem tempo e não quer refletir, quer somente reagir inconsequentemente.
Quando estamos no trabalho mediúnico sem o conhecimento precípuo, somos levados a visualizar somente lugares e espíritos que nos são ingratos, porque não conseguimos nos desvencilhar dos pensamentos de maledicência e de antipatia e, assim, não conseguimos visualizar os irmãos de luz que nos acompanham e os que se fazem presentes ao lado dos espíritos incautos e até das vítimas de nossas existências pretéritas. É claro que estes são, de alguma forma, haveres do passado que se apresentam da forma em que se encontram no plano espiritual, para que possamos compreender suas agruras e as possibilidades dos erros que os levaram até ali.
É por isso que temos de aprender a ter mais tranquilidade e a nos colocar em sintonia com os mentores e socorristas para buscar não só enxergar as trevas, mas também o ponto de luz, que ainda se mantém aceso, para então, trazer à nossa presença e à de nossos irmãos os mediadores que poderão nos auxiliar.
Da mesma forma, precisamos aprender a escutar e a ver com muito mais do que os instrumentos físicos que o Pai nos concedeu. Precisamos olhar com a clareza e a intuição dos que nos amparam e nos auxiliam e que nos emprestam a sua visão e audição espirituais, para que possamos perceber qual o melhor trabalho a realizar, qual o melhor caminho a percorrer e como aprender a ensinar pelo amor, pela caridade e pela fé.
Não julguemos nossos irmãos e irmãs à primeira vista. Coloquemo-nos a refletir e a buscar entender se existe somente a maledicência dos afoitos ou se não compreendemos ainda o nosso papel no auxílio, no entendimento e no crescimento de ambos.
Temos de aproveitar a sabedoria do Mestre Kardec, que nos ensina que todos somos provadores dos erros de outrora e por isso precisamos estar atentos e em sintonia com a espiritualidade maior e com nossos mentores, pois nada é definitivamente preto e branco, quando existem cores ocultas que se transformam em fraternidade, amor e esperança quando nos permitimos ver além.
Sejamos mais pacientes, resilientes e tenhamos maior benevolência com os que nos ouvem e veem, mas que ainda não conseguimos compreender e às vezes sequer enxergar de verdade.
Deus nos criou com instrumentos que podem salvar, mas que também podem ferir e, principalmente, nos deu a sabedoria para entender os nossos desígnios e os daqueles que nos cercam cotidianamente.
Não olhemos para o nosso próximo sem que antes o possamos enxergá-lo com o coração e com a razão cristã dos que aprenderam com nosso Mestre Jesus Cristo que não existe a possibilidade do julgamento sem antes buscar compreender e ver as razões daqueles que sofrem em sua própria escuridão
Que Deus nos ilumine e nos dê a possibilidade de enxergar ao longe.
Pelo Espírito de Sebastião Murilo