UMA VIDA DEPOIS DA OUTRA

A completude de uma vida não se encerra quando terminamos um ciclo; ela nos parece infinita, porque, neste momento, iniciamos outro. Retornamos e vivemos numa espiral eterna de possibilidades, até que um dia possamos parar por um instante, contemplar nosso trabalho até aqui e iniciar outros trabalhos, agora em prol de muitas vidas.

Olhando para este prólogo, que se parece até com uma conversa de filósofos sem um destino ou conclusão, temos a sensação de que nunca estaremos completos o suficiente para nos encontrarmos em paz com Deus, com os outros e conosco mesmos.

Na verdade, isso não é tão simples assim, porque, se olharmos para trás e vislumbrarmos  o amanhã, estamos, sim, continuando a cumprir os nossos desígnios, através dessas oportunidades divinas de viver, a cada dia, mais um pouco,sendo que cada pouco representa muito daquilo que ainda podemos fazer em prol de nós mesmos e do outro.

Não temos noção do quanto evoluímos até aqui, a não por aquilo que aprendemos nos livros de história, na Bíblia Sagrada, no Evangelho ou nos livros dos profetas. Mas saibam que já avançamos muito em direção ao nosso ponto de encontro com Deus e com nossos amigos e mentores do Amor. É verdade que ainda temos alguns passos para avançar na nossa própria regeneração e também na regeneração do mundo.

Ainda encontramos barreiras em nosso próprio tempo, que nos são impostas pelo constante aprendizado do que ainda devemos fazer ou ser, para que um dia tenhamos a certeza do que realmente somos.

Estamos nesta vida e nessa caminhada há um bom tempo, mas temos de nos lembrar, mesmo que em sonhos, de que já passamos por outras vidas e outros tempos em que não tínhamos sequer a compreensão do que a vida significava, bem como o tempo do significado do tempo e, principalmente, daquilo que realmente fazíamos neste mundo de provas e expiações.

Já houve um tempo, não muito longínquo, em que jamais poderíamos ousar entender o porquê das dores autoinfligidas, do desamor do outro e da impossibilidade de ouvir o que nos era ensinado o tempo todo, pelos mensageiros da paz. Sobravam os dias e só tínhamos um objetivo: sobreviver num tempo de pouca luz e razão entre aqueles que, como nós, simplesmente passavam pela vida, sem sequer reconhecer que haveria uma nova caminhada.

Hoje somos mais sábios, escutamos mais e já entendemos que não se trata de uma espiral, mas, sim, em uma figura lúdica de linguagem, de uma escada. 

Uma escada na qual podemos alcançar o próximo degrau e, depois, o seguinte, quando passamos a compreender e a trabalhar na fé, na esperança e  na caridade.

Mas é importante saber que esta escada não dita uma ordem hierárquica, mas, sim, representa uma fonte de renovação constante do sentimento do dever cumprido a cada vida e em cada momento em que podemos agradecer ao Pai pela nova oportunidade que nos dá de, um dia, como hoje, podermos dar a mão àquele que  está no degrau abaixo e puxá-lo através do amor e da persistência fraterna, para alcançar um degrau acima, ao nosso lado e ao lado de tantos outros que agora agradecem:

“Pai, muito obrigado por mais um dia, uma vida, um novo tempo. Que eu possa ser merecedor de auxiliar meu próximo e de alcançar, com meus próprios pés, uma nova etapa, uma nova vida que já pode ser o amanhã, quando eu, o outro, nossos irmãos e seus filhos, nos colocarmos mais uma vez à Sua disposição para o trabalho fraterno e para o amor eterno. Muito obrigado, meu Pai. Que possas estar comigo hoje e sempre!”

Amém

Pelo Espírito do Padre Júlio Maria