O TEMPO DE DEUS É O DO AMOR

Certa vez, um amigo me perguntou: qual o sentido da vida para aqueles que dela pouco aproveitam e têm sua passagem adiantada, segundo as leis naturais dos homens?

Perguntou-me ainda: por que Deus nos tira aqueles que amamos antes da hora planejada por nós e esperada pelos que os cercam? Seria um castigo ou uma dádiva deixar que tantos ficassem na saudade e na incerteza sobre se a missão teria sido cumprida ou não por aquele que partiu?

Este irmão não compreendia os motivos que o deixavam com a saudade de  quem sofre, por não ter conseguido dizer tudo o que acreditava que precisava ser dito. 

Eu, ainda na tenra idade da compreensão espiritual, não consegui explicar  a questão de outra forma, a não ser com base no estudo e no entendimento das obras do Codificador, oferecendo a simples e acanhada resposta de que cada um de nós tem uma missão pré estabelecida, antes mesmo do retorno ao corpo. 

E esta missão tem seu próprio tempo de início, meio e fim, de acordo com nossos méritos e com o nosso livre-arbítrio. Isso nos diz, que, na verdade, não é a contagem do tempo que se faz necessária, mas, sim  a consideração do mérito do trabalho, ou a ausência deste mérito, para determinar sua continuidade. Às vezes, somos compelidos pela fé que o próximo deposita em nós a permanecer por mais tempo do que seria necessário junto àqueles que amamos e àqueles que nos cercam e precisam de nossa presença física para dar continuidade e  à própria missão e receber nosso auxílio — e, claro, para darmos continuidade à nossa também.

Outras vezes, simplesmente passamos por este porto seguro e logo nos encontramos novamente no plano espiritual para dar continuidade aos nossos desígnios. Mas o fato é que, como homens e mulheres, que ainda privilegiam o sentimento em detrimento a razão e precisam de uma resposta do coração, temos de nos apegar à máxima de que o tempo de Deus não é o mesmo que o nosso.

E aos irmãos e irmãs aos quais deixamos, no plano terrestre, a sensação contínua de abandono e saudade possam compreender que, na verdade, todos continuamos a cumprir nossos desígnios e que ainda estamos juntos, buscando amparar, abraçar e consolar sempre. 

E nós também precisamos de tempo para compreensão do que se passou. Para isso, é preciso que tenhamos, na fé, a certeza de que tudo está seguindo e continuará a seguir na direção pretendida, mesmo sem a presença física.

A saudade e a ausência não devem ser encaradas como um castigo do Pai. 

A falta da palavra final, do pedido de perdão e mesmo da simples declaração de amor, ainda é sentida e ouvida pelos nossos entes queridos, mesmo agora na espiritualidade. E eles também nos falam, através dos sonhos e dos pensamentos aparentemente furtivos, que ainda amam, perdoam e sentem saudade, claro, se assim for o desejo dos irmãos e irmãs.

Não é a aparente ausência, que desfaz o amor ou a saudade, nem que apaga a lembrança dos dias felizes e a vontade de dizer o que o coração quiser. Mas, quando tudo isso se transforma em dor, em um desfecho mal compreendido ou num sentimento de culpa por acreditarmos que não lutamos o suficiente, pode se tornar, com o tempo, uma doença da alma, que pode atingir o corpo e nos afetar. Isso ocorre mesmo contra a vontade e apesar dos esforços do espírito amado, pois, segundo essa compreensão espiritual podem ser criadas barreiras a partir de uma matéria escura que envolve toda alma e pode impedi-la de sentir as emanações de amor.

Saibam, meus caros irmãos e irmãs, que tudo faz parte da evolução do espírito e nada é em vão. 

A partida e a chegada sempre serão por nós acordadas e por Deus abençoadas. Nada é mais triste e complexo, para quem fica e para quem vai, do que a ausência de fé, amor e esperança de que um dia todos novamente vamos nos encontrar. Enquanto isso, que continuemos a seguir juntos em planos diferentes, mas sintonizados em alma e espírito, no amor e na vontade de ser feliz.

A distância é mais curta do que imaginamos. Basta que tenhamos o coração  aberto e a alma em paz para escutar e sermos escutados, para compreender que o tempo de Deus não é curto nem tampouco longo, mas é o necessário para que possamos cumprir a caminhada e nos encontrar em sua Seara de Luz.

Que Deus os abençoe e que assim seja!

Pelo Espírito de Sandro Arbex