Às vezes, os fatos apresentados não condizem com a verdade, mas, mesmo assim, nos resignamos e acreditamos…
Temos, então, a pretensão de nos posicionar do lado dito mais fraco ou aparentemente mais fraco e não escutamos sequer o que o outro tem a dizer.
Somos compelidos a confiar no que nos custa menos suor e lágrimas, e esquecemos que a justiça é um preceito divino que reconhecemos mesmo antes de nascer.
Nosso Mestre e amado Irmão Jesus Cristo, quando de seu julgamento, foi condenado pela ignorância fácil de quem não gostava de pensar, de refletir sobre seus caminhos e ensinamentos. E mais fácil foi acreditar no ladrão arrependido, ou dito arrependido, pelas palavras de seu algoz.
Assim também, o fazemos em situações em que fica bem mais simples não pensar, nem refletir sobre o problema e, então, ditamos regras literais de moral de alcova para deixar de ouvir e escutar o coração e, quem dirá, a razão.
Vivemos sempre pautados pelo gozo fácil, pela maturidade infantil de acusar sem pensar, pelo simples fato de nunca enxergar as consequências.
Consequências estas que vêm, mesmo que tardias, mesmo que na possibilidade da morte de tudo o que foi e será, quando nos encontrarmos novamente com nossa vítima e, agora e sempre, nosso irmão, em um recanto de fé onde não seremos juízes, senão de nossa própria consciência.
Este não é um texto de acusações, mas um texto que tem em seu cerne a súplica pela reflexão. Temos vivido injustiças e maus agouros, senão pela ignorância natural, talvez pela ignorância letrada de quem busca nos livros o seu perdão e sua suposta redenção pelo dito e feito a outrem ou a si mesmo.
É enfadonha a repetição das máximas de aclamação do amor, mas, sem essa ferramenta divina, não poderemos construir uma morada digna para o espírito.
Temos que aprender com os erros, nossos e dos outros, porque, assim, seremos capazes de compreender os seus e os nossos desígnios.
É preciso aceitar que erros, sempre — eu repito, sempre —, poderão encontrar a tempo, o caminho para o perdão.
Não sois Barrabás, nem sequer os juízes do final. Sois homens e mulheres que entenderam e aprenderam, desde a mais tenra educação, que tendes o dever do perdão.
Perdoar a si mesmos e ao outro, pois o mal, quando contido, pode sim, ser revertido pelo tempo e pelo esforço de quem teve a chance de ser perdoado.
Não sois juízes do eterno, mesmo que travestidos de togas e livros da lei. Sois homens e mulheres passíveis da compreensão de uma única lei válida: a lei do amor.
Compreendendo estes fatos e atos, não mais sereis cegos e surdos ou sem condições de perdoar e, assim sendo, quando de vossa chegada ao paraíso, à nossa Seara, estareis com plena capacidade de entender que vosso maior desígnio ainda é amar ao próximo como a vós mesmos e, quem sabe, perdoar mais uma vez.
Pelo Espírito de Albino Teixeira