OBRIGADO, MEU PAI

Quando as catástrofes e as guerras nos assolam, temos a tendência, senão o costume, de atribuí-las a um castigo de Deus. 

Quando as doenças e as inseguranças nos encontram, nós as interpretamos como um chamado do Divino, para o nosso entendimento e, muitas vezes, como desculpa pela ausência de uma vida benevolente e fraternal. Entretanto, em todas essas situações, esquecemo-nos de um simples fato que se traduz nesta frase: Deus é misericordioso e piedoso. 

O que nos traz à reflexão sobre a possibilidade de que o Pai faça o mal para depois curá-lo com o bem, o que não faz nenhum sentido, mesmo para o nosso pequeno entendimento das razões e ensinamentos divinos. Quiçá nem mesmo faria sentido acreditarmos nisso.

O que podemos perceber é que somos incapazes de olhar para dentro de nós ou para os atos de insensatez do outro e concluir que tudo é fruto das escolhas do ser humano – das pessoas e das almas que ainda não compreendem o seu papel neste mundo e tomam para si ideias absolutistas, incongruentes e autoritárias diante da missão que lhes foi confiada por nós mesmos e por suas escolhas na pátria espiritual.

Não somos capazes de entender que a doença pode ser fruto da ausência de cuidado consigo mesmo ou com o outro que nos foi confiado para seguir conosco no caminho.

Somos incapazes de olhar para dentro de nós e para o mundo e concluir que, apesar de nossa desconfiança e imaturidade espiritual, o Pai jamais vai nos negar a Sua piedade e misericórdia, bem como o auxílio de seus trabalhadores de luz, neste ou em qualquer momento que d’Ele precisarmos.

Deus não é o senhor do castigo eterno, mas sim Aquele que nos concede a vida eterna, para que possamos, a cada nova oportunidade, construir e transformar nosso mundo particular, mas também transformar o mundo em que vivemos  em um lugar de renovação e de construção de um espírito baseado no amor e na fraternidade, sob a influência da luz e da paz espiritual, para encontrar, na esperança, a certeza de dias melhores.

Não se entreguem a estes pensamentos pequenos e toscos de um castigo divino. Lembre-se de que Ele só nos deu grandes oportunidades até aqui e, quando mais precisávamos d’Ele, enviou Seu Filho; depois, Seus emissários, a quem denominamos santos e mentores, e assim sucessivamente, para que nunca nos esqueçamos da única forma de estar em paz e em contato com Ele: cuidando de nossa morada – nosso corpo – e cuidando do nosso próximo, levando o amor, o perdão e a caridade aonde mais forem necessários. 

E, por fim, guardando a certeza e a gratidão por tudo o que conquistamos, mesmo que tenha sido com sacrifício ou na luta diária, para que possamos juntos, neste momento, agradecer:

“Obrigado, meu Pai, por tudo o que me deste: pela dor, pelo amor, pela ausência momentânea de nossos entes queridos, mas também pela certeza diária de que nunca estamos sós e de que tudo o que fazes por nós é sempre em prol de nosso crescimento moral e espiritual. 

Que, então, um dia, sejamos dignos do trabalho fraterno, junto a nossos mentores e amigos espirituais, em prol dos que ainda não acreditam, mas já sabem, no fundo de seus corações, que Tu és misericordioso e piedoso, um Pai amantíssimo que nunca deixará faltar o amor e a fraternidade neste caminho que escolhemos seguir em direção à Tua Seara de Luz.

Muito obrigado, meu Pai, e que a paz e o amor estejam em todos nós, agora e sempre.

Graças!

Pelo Espírito de João Luiz do Nascimento