APRENDENDO COM A SIMPLICIDADE

O conhecimento da Doutrina, não passa somente pelo assistencialismo ou pelo profundo conhecimento das obras do Consolador.

Ele vem através dos pensamentos gerados, seja pela intuição ou inspiração espiritual, seja pela vivência de cada encarnação.

Muitas vezes, nos repreendemos por desconhecer que, apesar de demandar um tempo maior, sempre existirá a possibilidade do aprendizado autodidata, que leva em consideração, principalmente, o cotidiano, as ações e reações aprendidas com outrem e até nossa própria experiência.

Existem, e ainda vão continuar a existir, grandes sábios que se moldaram à semelhança da natureza, absorvendo as reações dos animais e vegetais diante das intempéries e dos predadores naturais, formando, assim, sua capacidade de viver seu tempo no plano terreno, respeitando as leis naturais e as transportando-as para o entendimento das leis divinas. 

Da mesma forma, existem aqueles que trazem em seus pensamentos lampejos de fatos cuja procedência ainda desconhecem, mas que os levam a tomar atitudes de fé e de fraternidade em auxílio ao próximo.

Por isso, é preciso que saibamos ultrapassar as barreiras do medo e da timidez intelectual e, mesmo que ainda distantes dos estudos acadêmicos, possamos libertar os pensamentos simples em prol do auxílio e do consolo de nossos irmãos e irmãs.

Não tenhamos vergonha de nos reconhecermos simples diante dos doutores e, com  humildade, aprendamos com eles, para, então, entender que todos temos uma missão a cumprir e nem sempre dispomos dos instrumentos para cumpri-la.

De outro lado, é preciso que, mesmo como conhecedores e aprendizes da Doutrina, não nos esqueçamos da humildade de reconhecer o bem e o amor nas palavras simplórias daqueles que insistem em servir ao Pai, mas desconhecem até o desenho das letras e nos ensinam a partir de suas experiências. Estes também são e serão sábios na sua forma de ser e na compreensão de Deus, pois eles nos auxiliam a perceber, na prática, aquilo que até então só experimentamos e vivenciamos na teoria.

Não nos esqueçamos dos ensinamentos do Mestre Jesus, que, mesmo diante dos proeminentes sacerdotes, os ensinou a compreender a verdadeira lei divina.

Lembremos-nos também de que Ele não foi um estudioso das Escrituras, mas um pesquisador de almas, que soube se utilizar de suas intuições e pensamentos para mostrar os caminhos que todos perseguimos até hoje.

Somos capazes de ajudar quando exercitamos a humildade, da perseverança e a compreensão de nossos próprios pensamentos e entendimentos.

Estudemos, sim, e cada vez mais, a Doutrina , pois os livros são a base e os instrumentos que nos foram dados pelos amigos espirituais. Mas respeitemos e aprendamos com os pensamentos simples, com as intuições e com aqueles que, antes de mais nada, nos ensinam a partir da prática da caridade e da fraternidade e que, na maioria das vezes, não têm muito a oferecer, senão o consolo e a fé, traduzidos em palavras e transformados em remédio e cura para nossa alma sofrida.

Somos humildes servidores e nos colocamos, hoje e sempre, à disposição como instrumentos divinos, na intenção da regeneração dos
Seus filhos e deste mundo, que tanto ainda tem para nos ensinar e com qual temos tanto a aprender.

Muito obrigado aos simples, aos amigos da caridade, aos irmãos de fé. Que todos possamos um dia ser merecedores da misericórdia divina.

Que assim seja.

Pelo Espírito de Albino Esteves