AMAR UM VERBO PERFEITO

A complexidade de se definir o amor é quase a mesma de concretizá-lo nas mais diversas formas conhecidas pelo homem. 

Os livros, a vida, os poetas, nos ensinam que é preciso amar incondicionalmente.

Jesus, nosso Mestre, nos trouxe a certeza de que essa é a única forma de viver e manter a harmonia entre a alma e o coração, doando amor a todos e todos dias, mesmo que estes não tenham consciência disso.

Ele demonstrou, de forma cabal, todo Seu amor por nós, chegando — ao que os amantes de romances entendem como prova de amor — ao ato final de sacrifício. É claro que o Mestre não o fez, para nos ensinar pelas fúteis razões dos enamorados, mas foi levado a provar Seu amor, justamente pela ausência do amor verdadeiro, demonstrada por seus pares e até por todos nós.

Amar é muito mais do que se interessar pelo outro, é viver por aqueles que conhecemos  com a certeza de que sempre vamos amá-los, mesmo que eles não saibam ou não acreditem.

É perceber que esta é a única forma de luta válida, pois é por amor que aqui estamos e é por amor que podemos não mais estar.

Amar é trazer de volta a alegria há muito esquecida. É buscar entender que nunca estaremos sós e nunca os deixaremos sozinhos, pois são muitos os que nos cercam, que nos  amam e estão sempre dispostos a demonstrar isso, mesmo quando não conseguimos enxergar.

Quando desencarnamos, acreditamos ter deixado para trás, não só o corpo, mas, muitas vezes, reduzimos o amor que nos uniu, a um sentimento fútil que logo dará espaço a uma nova razão, na qual não mais caberá a cumplicidade, seja entre casais, irmãos, bons amigos, bons vizinhos ou bons companheiros de profissão e de fé.

Acreditamos que não mais seremos lembrados e, provavelmente, não mais teremos a sensação de pertencimento que outrora nos enchia o coração e a razão com a  certeza do amor.

Entregamos à terra o nosso corpo, assim como entregamos nosso amor ao vazio, sem saudade, sem a necessidade de acreditar que ainda existirá o mesmo sentimento doado em vida aos nossos amores. Pois a vida espiritual nos preencherá com novos sentimentos e não mais teremos a vontade ou a necessidade de estar juntos, de abraçar e de conviver com os que ficaram.

Acreditamos que, quando nos encontrarmos com os que já partiram, esses sentimentos serão canalizados para os novos/velhos amores. E, se um dia o Pai nos permitir, encontraremos em Sua Seara aqueles que deixamos, e será neste momento que o amor por eles, adormecido, voltará. Um ledo engano, natural de quem acredita que o amor está na pele, no toque, na presença física, pois, na verdade, este é o sentimento que mais está impresso no espírito. Nós o trazemos conosco ainda mais latente e forte e, agora, sem as barreiras físicas que nos impediam de senti-lo em toda sua plenitude.

Amamos mais e sentimos o dobro, podemos estar mais próximos, pois um simples pensamento, nos une mais facilmente.

Estamos juntos e aprendemos que, para o amor, não existem barreiras ou necessidades fisioquímicas. Somente a vontade e a certeza de que esta é a única forma de nos comunicarmos uns com os outros, de realmente nos tornarmos inteiros, não só com os que convivem conosco, mas também com aqueles que, por pouco tempo, nos encontraram e que, por motivos que até então desconhecíamos, nos foram amigos, simpatizantes e nos deram a oportunidade de doar amor. E marcaram um novo encontro, para um dia qualquer, talvez para outra vida, talvez em outra Seara.

Amor é mais do que ficar juntos, do que se aproximar, do que se unir pelos laços do matrimônio ou não. Amar é estar vivo e aberto ao encontro, que poderá se tornar uma bela amizade ou um sentimento de gostosa saudade, daqueles que parecíamos não conhecer, mas que um dia nos encontraram.

Amar é dedicar um pensamento de paz, de gratidão, de consolo àqueles que não mais veremos e até àqueles que não conhecemos, seja pela distância, seja pela certeza da simples necessidade de um pensamento feliz que irá encontrá-los num momento de dor ou de socorro material e espiritual.

Amar é estar desperto e aberto para o outro, sem se importar com sua cor, gênero ou credo, porque foi assim que o Mestre nos ensinou.

Amar é dedicar tudo o que temos de melhor, sem esperar retorno, àqueles que então perceberão que amar é sempre a melhor solução.

Amar é dedicar um momento para escrever, um simples texto, para quem quiser e precisar ler, para expressar em palavras, tudo o que aprendemos neste  pequeno período que nos foi concedido. E, assim, devolver a todos o imenso amor que o Pai nos dedica, todos os dias e em todos os momentos, seja no plano espiritual ou terreno, para que possamos continuar seguindo o caminho, a Seu lado, com a única certeza possível: a  de que, hoje e para sempre, eu amo todos vocês.

Pelo Espírito de Maria Luiza Abraão