Amar, verbo, substantivo e adjetivo que conjuga duas ou mais almas em um só predicado: dar-se sem receber, querer sem competir, amar-se e ser amado.
Não cabe aqui discutir a gramática, nem definir os erros e acertos desta frase, cabe aqui, sim, definir que todos somos capazes de somar e multiplicar o amor, sem a necessidade de subtrair, seja qual for a razão, nem mesmo de dividir, mesmo que esta equação nunca feche.
Seria fácil professar sobre este tema, se não o tornássemos tão banal e não tivéssemos tantas formas aparentes de amar. Porque não é crível que elas existam, pois não passariam de uma repetição mal-acabada do que verdadeiramente foi definido no princípio: amar ao próximo como a ti mesmo.
Frase que nos é sempre relembrada pelos amigos da espiritualidade e nos parece sempre de impossível realização, porque nunca nos sentimos aptos a concretizá-la em favor de qualquer um, sem questionar ou cobrar o retorno.
Há muito, escrevemos sobre o amor com a completa ignorância do seu potencial. Somos todos senhores destas ideias, mas incapazes de realizar a mínima parte do que nosso Mestre Jesus realizou ou mesmo do que alguns de seus discípulos antigos ou modernos conseguiram realizar.
Temos a certeza da compreensão e do tamanho deste dom que nos foi conferido pelo Pai, mas, na verdade, não utilizamos uma fração do que nos fora concedido. Somos improváveis senhores de uma capacidade plena de amar o próximo, e quem dirá a nós mesmos.
O fato é que esta não é uma definição verdadeira, porque somos, sim, possíveis e capazes de amar não somente ao nosso próximo, mas também a nós mesmos. Para tal, basta que tenhamos confiança e acreditemos em nossa fé, na perseverança de nossos atos e no amor como espada e escudo de nossas lutas.
Com certeza, estamos longe de dar o exemplo, assim como fizeram o Mestre e seus discípulos, mas muito próximos de dar amor a quem de nós se aproximar ou até mesmo àquele que está longe e que ainda não conhecemos, mas que ficou em nosso pensamento e em nossa lembrança e merece a possibilidade de uma oração, uma palavra e, quem sabe, de uma comunicação que talvez não obtenha resposta, mas que encontrará o caminho do coração alheio e do nosso próprio coração.
Estas frases sempre nos parecem repetitivas ao extremo, mas são necessárias, pois é de amor que nosso espírito se alimenta, se veste e respira, pois ele é factível e podemos senti-lo em nossas mãos.
Não conhecemos outra forma de lembrar que o amor é o remédio e a cura de qualquer alma em desalinho, sem esperança, sem fé. Podemos até não acreditar em Deus, mas temos a certeza de que existe uma força que nos move e orienta.
E até o ódio é uma prova de que a ausência do amor torna nossa vida mais espinhosa.
É tão difícil escrever sobre este tema sem nos tornarmos, para alguns, piegas e simplórios. Em qualquer texto em que se repita a palavra amor, este sempre se tornará, aos olhos do incauto, um melodrama de poetas e prosadores medievais e modernos.
Mas, de fato, o amor entre duas pessoas não é sua única forma reconhecida, pois aprendemos que o amor fraterno se torna eterno e nos traz dias e horas de verdadeiro sentido.
Amai ao próximo como a ti mesmo e estarás amando a Deus. É simples, é repetitivo, mas é a única verdade possível.
Não se entediem com ela, mas, sim, a realizem-na no seu dia a dia, em todas as horas e minutos que lhes forem permitidos. E, ao findar deste dia, estarão muito mais fortes e com a melhor sensação que pode existir: a de se sentirem amados.
Deus mandou dizer-lhes que Ele e nós os amamos muito.
Pelo Espírito de Arlindo Daibert