Agora os livros já não me pertencem…A casa já não é minha…A vida e o mundo já não são mais os mesmos.
Agora a morte me encontrou; os amigos ficaram para trás, a família, os amores…Só nos resta viver.
Viver esta nova vida com tudo o que realmente conquistamos: sabedoria e conhecimento – que seja ao menos um pouco – e os amigos de uma vida inteira, os amores, mas talvez, nada disso tenha sido nosso ou nos tenha pertencido um dia.
A vida sempre será uma sucessão de trocas: de saberes, de amores, de vidas.
E agora encontro novamente os que sempre estiveram comigo, na invisibilidade da proteção daqueles que sempre e para sempre amarei.
Reconheço meu saber, mas desconheço a sabedoria divina, suas verdades e seus conceitos. Olho por aqueles que amei e que me amam, e posso estar ao seu lado e talvez em seus sonhos.
Acredito mais do que antes e menos do que deveria.
Mas guardo, na certeza da morte, que nada nos pertence, nada é nosso de fato nem de direito, porque um dia os livros ficarão, a casa ficará, os amigos e os amores serão a saudade do que foi um dia. E, então, a vida nos pertencerá novamente, mas agora sem os amores e amizades fugazes, sem trocas, senão as de paz, luz e esperança.
Agora, com Deus e com os irmãos e amigos visíveis, podemos reconhecer que um novo tempo começou e, quem sabe, uma nova oportunidade nos será dada para reconquistar o que ainda falta, aprender o que não fora dito e dizer que eu te amo, independentemente das coisas e do que temos ou podemos ter.
Eu te amo independentemente de tudo, porque agora, daqui, vejo que só o que me pertence é o amor que posso dar a quem precisa e também a quem dele não precisa.
Obrigado, meu Pai, por mais uma vez me dar a oportunidade de saber que sou feliz, porque eu te amo, amo o outro e amo o próximo… Eu amo a vida.
Novos dias e novos tempos virão. Aproveitem cada minuto distribuindo amor, esperança e construindo a fé no seu e no nosso coração.
Que Deus esteja convosco.
Pelo Espírito de Maria Clara