É MUITO MAIS DO QUE FALAR

Ao professar nossas crenças, não percebemos o quanto somos inconclusivos a respeito de nossa fé.

Os homens e mulheres que se dizem “de Deus”, muitas vezes, não se mostram capazes de compreender algumas das designações e caminhos naturais que o Pai nos ensina e professa diante das agruras e dos medos humanos.

Não somos todos imperfeitos?

Não é esse o princípio de toda e qualquer discussão religiosa, não importando de qual credo advém o saber? 

O fato é que não comungamos das mesmas crenças no Pai, apesar de ser esta a razão de tudo: um Deus único em força, presença e luz, seja onde e quando for conclamado pelos pastores e fiéis das diversas denominações religiosas.

Por isso, não existem caminhos diferentes nem tampouco entendimentos diversos. O que nos é permitido pensar é que a forma de encontrar o Criador possa ter ritos e momentos diferentes. 

Entretanto, o que vemos ao longo da história é a utilização do nome do Pai para acalentar os erros de entendimento de muitos que se julgavam sábios e incontestáveis senhores das Escrituras. Da mesma forma, não devemos nos ater aos pensamentos e formas de caridade e auxílio, que não sejam baseados no amor e interpretados pela fé em prol dos irmãos e irmãs em desalinho, descompasso e desconforto. Que não tenhamos a impressão de que doar-lhes alguns Talentos – que até julgo serem necessários em alguns momentos – desfaça a necessidade de haver muito a fazer por eles.

Na verdade, isso vai muito além do auxílio material. Vai ao encontro da possibilidade da caridade, do consolo espiritual e do auxílio que prestamos com ações da alma e preces em prol dos amigos encarnados e desencarnados que ainda precisam de nosso amparo para continuar o caminho, o que vai além do pão nosso de cada dia.

A religião não é o ponto final; ela é uma interseção em razão da possibilidade da caridade e da fraternidade entre os homens.

Não nos cabe vangloriar-nos de sermos os baluartes da moral e dos costumes, se não conseguirmos sequer enxergar os que sofrem ao nosso lado, em nossa casa.

É preciso compreender que os ensinamentos do Pai passam pela humildade de aceitar que nada sabemos, mesmo depois de anos em pregação ou estudos nas academias da fé. Mesmo assim, fica a certeza de que o que temos a realizar não é muito diante das possibilidades que se apresentam num único e certeiro amparo àqueles que nos demandam auxílio.

É preciso pregar os ensinamentos, para que cada vez mais tenhamos homens e mulheres em estado de benevolência e caridade para o auxílio de nosso próximo.

Mas temos de entender que o trabalho não se encerra com o fim da leitura do livro sagrado; ele se encontra, na verdade, na prática constante do que foi lido e aprendido por todos nós.

Não basta se vestir de santo ou de ternos impolutos para que tenhamos a certeza da fé apreendida e de que, assim, temos a solução de tudo. Da mesma forma – como já nos ensinaram –  não basta conhecer toda a obra original do Consolador ou mantras para nos considerarmos aptos a repartir a morada do Pai.

Temos de exercitar a caridade todos os dias e, ao findar deles, ter uma conversa franca e sincera com o Pai para buscar a compreensão de que o que fizemos com a nossa fé foi levá-la aos que dela necessitam, e se isso foi suficiente, compreender se o amor recebido pode agora ser difundido ao próximo, e este,  por sua vez, ao seu próximo, até que tenhamos realmente construído um templo com bases sólidas e robustas para servir de abrigo aos que vierem.

Não basta falar; temos de agir e reagir em prol do amor e da esperança. 

É isso que nosso Pai espera de nós.

Que a paz do Pai e o amor dos irmãos espirituais estejam com vocês.

Pelo Espírito do Irmão Alcides