A separação de almas é sempre muito dolorosa, seja na Terra ou no Céu, como diriam alguns cristãos.
Ela vem carregada de frustrações e desenganos, que, na maioria das vezes, são parte do aprendizado sobre aquilo que deveríamos continuar relevando e o que já não havia mais como relevar.
Somos compelidos a buscar respostas para os motivos, mas quase sempre não as encontramos, pois elas estão inseridas nos desígnios de continuar ou não o caminho juntos. Mas isso não significa que estaremos sozinhos, porque não se apaga o amor e nem o que aprendemos vivendo juntos. Apenas mudamos a forma de caminhar, agora lado a lado, em paralelo, mas na mesma estrada.
A separação traz sempre a amargura e a descrença em nós mesmos, pois alimentamos a certeza de não termos sido capazes de dizer ou fazer o suficiente e, agora, cada um se encontra em um ponto ou em um plano diferente que nos parece distante. Não somos capazes de acreditar que qualquer palavra de desculpa ou pensamentos possam surtir o efeito desejado.
O que nos resta, então, é nos perdoar e pedir perdão àquele que partiu. Pois, ainda nos parece que estaremos sempre em débito, de certa forma, pelos dias de desengano ou pelos dias de desencontro.
Em ambos os casos, existe a dor, que o Pai nos ensina que será remediada e até curada com o tempo, com a fé e com uma nova oportunidade de reencontro. E é com ela que criamos e nos aproximamos de um novo formato de amor, agora fraterno.
Não cabe mais aqui o desconsolo, o desamparo e até o desamor. Duas almas que experimentaram a vida a dois, com paixão, amor e companheirismo, não apagam o rastro que deixaram no caminho, mas levam dentro de si a certeza de que foi e será muito bom relembrar os momentos de paz, felicidade, esperança e cumplicidade.
Quem guarda somente rancor, baseado na dor da separação, não consegue perceber que a vida continua e que o tempo em que estiveram juntos foi bom. Mesmo que agora só possam se encontrar em pensamentos felizes e na saudade boa que todos carregamos de uma vida vivida juntos.
Quem sabe, pela misericórdia de Deus, possamos revivê-los um dia.
Não se julgue e não julgue aquele a quem dedicaste uma parte desta vida. Não há vencedores ou perdedores neste momento, mas apenas aqueles que se amaram com paixão e agora poderão viver o amor fraterno de quem se admira e representará para sempre uma boa parte desta nossa vida.
A separação de almas é difícil para aqueles que não conhecem o amor divino, a fé e a esperança de que nada foi em vão e nada o será, se descobrirmos e acreditarmos que sempre haverá um amanhã. E, sempre que pudermos, nos encontraremos, seja na esquina desta vida ou na continuação de uma nova. O amor é eterno enquanto dura…O amor fraterno dura para sempre.
Que Deus nos abençoe.
Pelo Espírito de Maurício Donatto