Orai e vigiai. Esta nos parece ser a regra sagrada dos que a têm em sua mente e em seu coração, na vontade de respeitá-la e de um dia alcançar os céus.
Somos ensinados, desde a mais tenra idade, a compreender que a oração é o instrumento de cura e de proteção, para os males da alma e do espírito. Da mesma forma, quando de nosso aprendizado nas escolas cristãs, somos orientados a manter uma constante vigília contra o mal e suas influências, que nos circundam a todo instante, e em qualquer lugar onde possamos dar vazão à sua influência.
Assim, vivemos e aprendemos que devemos sempre estar aptos ao trabalho de moldar nosso espírito para um novo recomeço e, depois, outro…até que possamos encontrar o caminho para a Seara de Luz. Mas, de fato, o que temos que nos lembrar e trazer ao centro de qualquer temática em discussão, é a principal regra, se assim podemos chamar: temos que observar para refletir. Temos que “amar ao próximo como a nós mesmos”, e para isso, faz-se mister entender que também temos que orar e vigiar pelo outro, para que possamos protegê-lo e dar auxílio à espiritualidade na proteção de sua alma.
Parece-nos uma tarefa hercúlea e sem propósito, pois estamos sós e são muitos os que estão à nossa volta. Entretanto, o erro desta afirmação está em não nos apercebemos de que tal tarefa se faz em partes e por partes, ou seja, em certos momentos, quando a oração e a vigília se darão por aqueles que se apresentam em desalinho ou na possibilidade de se perderem no caminho.
Temos, sim, a obrigação moral e espiritual de buscar auxiliar os que sofrem, aqueles que não reconhecem, como nós, as possibilidades divinas e se deixam levar por pensamentos e ações que obstruem a razão e os levam à sua própria região umbralina.
Irmãos e irmãs, que nos são caros e até os que conhecemos ontem fazem parte da nossa família espiritual, que já nos foi apresentada e, tal qual fazem um pai e uma mãe diligentes, temos a necessidade de amparar e cuidar com amor fraterno. Por isso, cabe o auxílio material imediato, mas, principalmente, o auxílio espiritual que buscaremos junto aos mentores de luz e amigos fraternos, para o desenvolvimento do trabalho possível diante das tarefas apresentadas.
Orar e vigiar, não se trata de uma regra rígida criada por uma ordem de guerreiros medievais, mas, sim, de uma forma doce e límpida de nos protegermos das influências daqueles que cruzam o nosso caminho e nos levam em direção contrária.
Orar e vigiar é a forma de nos tornarmos aptos ao trabalho fraterno, auxiliados pelos amigos da Ordem do Consolador.
É também a forma prática de aplicarmos nossas benesses e dons aos que nos cercam e que ainda não têm a maturidade espiritual para se autoproteger nem a capacidade de sentir ou saber rogar pelo auxílio cristão.
É preciso estar atento e em constante reflexão sobre nossos passos e atos, para seguirmos na caminhada terrena. Mas é preciso também que tenhamos fé e resiliência, amor e a prática constante do perdão, para que estejamos, assim, auxiliando a nós mesmos e aos que desconhecem a verdade sobre a misericórdia e piedade divinas.
O Pai Celeste, nos dotou de sabedoria e aptidões diversas, para que cada um possa estar atento e aberto às suas mensagens e, então, possa repeti-las a todos os que delas necessitam, numa prática constante de oração e vigilância, pois Ele cuida e ama cada um dos seus e, por isso, temos o dever de realizar a Sua vontade e seguir o Seu exemplo.
Orai e vigiai não é uma regra, mas, sim, uma necessidade de fé e de esperança em dias melhores.
Que assim seja.
Pelo Espírito de José Manoel Correa