OS MANSOS DO REINO DE DEUS

Bem – aventurados os mansos, porque possuirão a Terra (Mateus 5, 5).

Quando Jesus Cristo nos ensinava por meio das bem-aventuranças, a seguir os preceitos do cristianismo e do Pai Eterno, talvez não tenhamos entendido suas palavras e tenhamos deturpado o sentido por Ele preconizado.

Acredito que até hoje ainda temos irmãos e irmãs que não compreenderam o sentido da luz e da sabedoria dos ensinamentos do Mestre.

Os mansos a que Ele se refere  não correspondem aos que se deixam humilhar e se escravizar, nem aos que se curvam diante de outros, considerando-os superiores ou melhores. O sentido do termo “manso”, aqui colocado, é o de aprender e ensinar com o bem, mesmo sabendo que o caminho pode ser árduo e tortuoso. 

É ensinar com paciência e resiliência, para que reconheçamos o nosso olhar espiritual e vejamos os sinais para a continuidade de uma vida humilde e benevolente, mesmo quando o Pai nos dá a oportunidade de uma vida farta, com todas as possibilidades amealhadas com o suor de nosso trabalho.

O manso não é aquele que se deixa abater pelo próximo — seja pelo motivo que for — e acredita que este seja seu destino, e nem aquele que crê que tudo se resume ao espaço ou à posição social de cada um, tal como ocorre com as castas e os referenciais sociais de algumas crenças que acreditam nesta diferença divina entre os homens. 

Da mesma forma, não cabe a ele se julgar inferior e infeliz a título de uma humildade cristã ou da certeza de alcançar o Reino dos Céus e, assim, simplesmente se entregar ao desconforto e à indiferença ao trabalho honesto e humilde, nem mesmo se valer da concepção de dor e doença como impedimento para arar o seu próprio campo de paz.

Não cabe também a confundir do desalinho momentâneo com uma maldição eterna que o impeça de conquistar o seu lugar ao sol neste mundo. Afinal, ele também faz parte do Reino de Deus e, por isso, se faz necessária a vontade de conquistá-lo e até de modificá-lo em prol de toda a humanidade.

Nosso Deus não é o da injustiça, do castigo ou do desamor. Ele não pune seus filhos com a desmoralização e a dor eterna. 

O Pai que reconheço nos ensina a plantar para colher os frutos do amor. Ele é compaixão e misericórdia para com todos os que o procuram e também para  com aqueles que o renegam. 

Os mansos não são somente os que perdoam e dão a outra face, mas aqueles que ensinam e aprendem com o poder do perdão.

São os que buscam, por meio dos ensinamentos e intuições, caminhar e auxiliar os que os procuram, mesmo que de passagem.

Eles sabem que têm pouco tempo para a colheita, por isso, plantam e esperam com a calma dos que acreditam e refletem sobre as lições da vida eterna presentes bem-aventuranças.

E, por isso, repito: não basta se deixar abater e simplesmente perdoar, é preciso ensinar ao agressor o verdadeiro sentido do perdão.

Não basta escutar calado as ofensas do outro se não tens a capacidade de  dar as mãos e ensiná-lo a rezar.

Não basta ser a palmatória do mundo e se esconder na sua própria escuridão; tens de aprender a te levantar e, num ato próprio de compaixão, juntar as mãos e pedir a força ao Pai para que possas mudar este mundo, pois foi assim que o Mestre Jesus nos ensinou, por meio de seus exemplos. E amparada pelo Deus Pai misericordioso e benevolente, continuou a caminhar mesmo depois de se encontrar na escuridão da dúvida, mesmo quando foi negado por nós.

Os mansos não são cordeiros à espera do abate, mas, sim, homens e mulheres que aprenderam a lutar sem armas, gritos e ofensas, simplesmente orando, refletindo e perdoando aqueles que ainda não compreenderam que os mansos somos todos nós que acreditamos e temos fé e, por isso, seguimos os passos do Mestre Jesus, sem duvidar, um segundo que seja, do amor e do poder de nossa fé neste Pai Todo-Poderoso.

Que a paz do Senhor, nosso Deus, esteja com todos os mansos que acreditam e têm fé.

Pelo Espírito do Irmão Jacob