RARA BELEZA

A beleza tem um efeito diferente em cada ser human. Ela não consiste em uma determinante única, porque suas variáveis são marcadas pela visão, olfato e pela sensibilidade de cada um de nós.

Quando olhamos uma flor, percebemos o seu poder de causar diferentes sensações no seu espectador. Mesmo que este seja um ser inculto e insensível, seu coração é tocado pela diferença de cores e sentimentos que ela pode nos transmitir.

Na arte, entendemos da mesma forma: cada um é tocado por sua sensibilidade e não pelo saber acadêmico, pois as sensações percebidas são elevadas diante das cores e formas que nos remetem a uma lembrança, mesmo quando nos parece que não estávamos pensando em nada.

Mas a beleza é um elemento criado pelo divino e referendado pelos homens para que pudéssemos nos diferenciar uns dos outros, não segundo o conceito de belo e feio, mas  por aquilo que nos renova a esperança de que existe um propósito neste mundo: o de sempre estarmos em busca da felicidade.

Não somos seres totalmente bonitos nem feios, na fiel concepção das palavras. Somos obras de arte em construção, às vezes, abstratas, surrealistas, às vezes naturalistas e até realistas aos nossos olhos, mas sempre em consonância com o autor que movimenta os pincéis e cinzéis, de acordo com nosso crescimento espiritual e também com a leveza das cores e tons de nossa alma.

É difícil entender que aquele que é desprovido de algum elemento físico ou de alma, possa ser uma verdadeira obra de arte, pois nosso olhar não corresponde à visão de nosso coração, e somos levados ao distanciamento imediato daquilo que ainda não compreendemos como uma perfeita criação de nosso Divino Pai.

Não compreendemos suas cores e curvas e, então, a interpretamos como uma obra de baixo teor artístico, quando, na verdade, não nos permitimos sentir e buscar os detalhes para encontrarmos a quase perfeição. Mas, para isso, é preciso compreender a nossa própria criação, nossos tons, paletas de cores e formas que chamamos de vida.

Não somos pautados pela crítica do mundo efêmero, mas, sim, pela perfeição do amor, da resiliência e da constante crença de que nada é tão ruim que não tenha conteúdo para se tornar quase perfeito, apesar de entendermos que a tal perfeição não é senão um conceito pequeno diante da grandeza encontrada na caridade e na fraternidade entre os homens.

Somos espíritos sem forma, antes e depois da vida na Terra, mas somos cheios do conteúdo que deixamos como nosso legado artístico, para que todos os que estiverem ao nosso lado e mesmo os que vierem de longe possam conhecê-lo e levá´-lo consigo e, um dia, transformá – lo em sua própria essência, em uma bela e divina obra de Deus.

Não se olhe no espelho do mundo, mas, sim, para o seu interior, para sua alma, e encontre rara beleza a ser reproduzida para os que vierem.

Recebam este buquê de luz e paz em seu coração.

Pelo Espírito de Anaide.