Dizem que conselho não é algo que se dê ou se empreste, porque, se fosse tão bom, seria trocado por um bem material ou até por outro conselho. De fato, o conselho é algo para o qual teríamos de pedir permissão para dar ou até para seguir, e aqui eu explico: conselho é algo que temos de dar como uma forma de auxílio gratuito, assim como o amor, para guiar o caminho do outro e até o nosso, e por isso tem de ser algo que fazemos com sabedoria e fé, porque, senão, jogaremos ao léu palavras e pensamentos que só fazem sentido se forem bem-aceitos e seguidos.
A espiritualidade está sempre pronta a aconselhar, tanto os irmãos na Terra, como os que habitam as Searas do Amor e de Luz. As inspirações sempre nos parecem conselhos, talvez não na forma, mas na intenção dos que delas se utilizam para nortear os que as recebem em pensamento e em mensagens.
Um conselho carrega em si a formalidade da dádiva divina de um pai ou uma mãe que têm em seus filhos a preocupação da vigilância e do auxílio fraterno. Ele também nos é dado por aqueles que nos amam e nos acompanham como irmãos em espírito, que também se preocupam em nos auxiliar nas escolhas que devemos ou que temos de fazer. Por isso, o conselho carrega em si a certeza do bem-querer, e é também por isso que nunca deve ser dado em vão ou com a intenção de desorientar os que o recebem, em geral, com o coração em dúvida e com a razão inerte.
Então aqui vai o meu conselho:
– Abra o coração para as palavras e os pensamentos de esperança e fé.
– Seja aquele que sabe que, muitas vezes, o conselheiro tem dificuldade de falar o que você gostaria de ouvir em detrimento daquilo que é necessário ser escutado e aprendido.
– Não menospreze seu conselheiro por acreditar estar num estágio melhor do que o dele.
– Nunca negue ao próximo um bom conselho que você possa doar, por sua vivência e pela sabedoria aprendida pelo problema vivenciado e resolvido ou pela expectativa da não resolução e do amparo do coração e do espírito em desalinho.
– Seja aquele que sabe dar, mas que também sabe receber um bom conselho, mesmo quando lhe pareça não ser o momento de falar ou escutar.
Um bom conselho sempre será válido para uma posterior reflexão e, com certeza, para o auxílio nas escolhas futuras. Nunca deixe de ouvi-lo com o coração aberto e com a razão atenta àquilo que lhe faz bem, na certeza de que poderá ser transformado em uma ação de persistência e resiliência ou na solução de um problema que talvez ainda esteja por acontecer.
E um último conselho: Deus nos fala sempre, seja por meio de Seus ensinamentos ou por meio de Seus bons conselheiros, que nos alcançam sempre que duvidamos de Sua existência e de nossos desígnios. Por isso, fique atento e aberto para recebê-los. E, quando deles fizer bom uso, nunca se negue a repassá-los ao próximo que esteja, assim como você, precisando de um bom conselho.
Que Deus nos ilumine.
Pelo Espírito de Maria de Lourdes Ferreira