Para compreender o que vêm a ser estas experiências da natureza, é necessário termos a certeza de que estão intimamente ligadas à ausência de amor ao próximo, de caridade e de fraternidade.
A força da natureza nos remete, a cada dia, ao descompasso com a vida e com nosso mundo e se faz aparente e, de certa forma, justa, pois, apesar de muitos não merecerem tal consequência, a recebem por fazerem parte de um mesmo círculo espiritual. No entanto, cabe refletir que, dessas experiências, ainda podemos extrair ensinamentos para um próximo momento ou ciclo de vida.
O fato é que não só deturpamos o meio ambiente e deixamos de respeitá-lo, como também o fazemos às custas do sofrimento daqueles que lutam e vivem em prol de uma pequena gleba de terra, daqueles que se importam com suas matas e nascentes, mas, principalmente, quando negamos a existência dos que passam fome, sede e até são privados de uma moradia digna, sendo colocados em locais ermos e de pouca ou nenhuma iluminação espiritual ou terrena.
São estas experiências que a natureza nos traz, pois, como bem nos ensinou o Mestre Kardec em sua magnífica obra, não existirá o mal, apenas experiências às quais nos submetemos pela total ausência do bem em nós.
Parece absurdo e até mesmo insensato, pensarmos que o simples, mas complexo, fato de não praticarmos a caridade resulta em uma resposta da natureza, com suas intempéries e total ausência de piedade cristã. No entanto, o efeito causado pela ausência de fé e fraternidade para com o próximo demonstra nossa falta de respeito pela vida e também uma total descrença no amanhã, pois somos capazes de realizar o impensável para perpetuar nossa riqueza, que, como sabemos, não é nossa por direito, mas um simples empréstimo divino.
Somos capazes de negar leite a um recém-nascido em protesto contra o preço praticado e, assim, desperdiçarmos litros e litros no ralo.
Somos capazes de guardar, em silos fechados, toneladas de grãos, mas incapazes de doar aos que necessitam sequer um pacote para seu sustento.
E, por fim, mas não por último, somos capazes de tirar do próximo o seu sustento e suas terras em prol de um dito bem maior, que não passa de uma falácia para justificar a ganância.
Não compreendemos o significado do desmatamento e da destruição das nascentes, até que a natureza nos ensine.
O que importa é que podemos reconhecer que as mudanças e intempéries naturais são fruto do egoísmo, da ganância e do desamor para com o próximo.
E, para que se possa resolver essa situação e buscar um pequeno acordo com a Mãe Natureza, é preciso que tenhamos mais amor, fé e caridade para com nossos semelhantes. Devemos tentar restaurar a certeza de que estamos todos juntos numa mesma oração, não apenas buscando nos beneficiar da natureza, mas, sim, agradecendo e respeitando ela, para que possamos contar, como sempre contamos, com sua força curativa em prol deste mundo e dos filhos de um Pai Divino e de uma Mãe Santíssima, que nos observam no caminho que escolhemos e nos amparam e confortam, mesmo sabendo que tudo isso é fruto de nosso livre-arbítrio.
Somos homens e mulheres que se esqueceram de que vivemos em um lugar onde tudo o que se planta nasce e floresce, assim como o amor, a resiliência e a esperança, que sempre foram a enxada e a semente daqueles que vivem do que plantam e colhem o que semeiam.
Vamos reconhecer que já é hora de mudar e, para isso, é preciso que o primeiro a fazê-lo seja você, seja eu, seja o nosso próximo. Vamos plantar a semente da fé, regá-la e adubá-la com a oração, para colhermos os frutos do amor e, então, distribuí-los em todos os lugares onde haja necessidade de caridade e fraternidade.
Que assim seja!
Pelo Espírito de José Luiz Ferreira