A compreensão de uma vida a dois vai muito além da simples celebração de um casamento. Ela se faz muito antes da nossa existência terrena. Por isso, é necessário que se tenha resiliência, paciência e vontade de amar, mesmo sabendo que este encontro pode ser fruto de um passado em que não houve a possibilidade do perdão e da compreensão de atos errôneos.
A vida a dois é uma constante necessidade de cultivar o amor, o perdão e a fraternidade entre almas que se entrelaçam e formam uma nova possibilidade de coesão e cumplicidade, a qual pode se tornar uma bela e fraterna parceria de uma vida toda e mais.
Não devemos nos ater somente ao que tange às necessidades físicas e até mentais de um relacionamento. Precisamos ultrapassar as barreiras terrenas e encontrar na espiritualidade a certeza de um enlace que demanda também o entendimento por meio do pensamento, dos gestos e dos olhares, que só entendem as almas que estão em cumplicidade e que têm no amor a sua base de vida e até da dita morte.
E, tal qual escreveu Shakespeare, não há necessidade de se resumir uma vida num pretenso encontro depois do desenlace, mas, principalmente, de vivê-la durante o tempo que nos foi concedido por Deus para gerar não só os frutos encarnados do amor, mas também escrever uma história espiritual que, um dia, poderemos, juntos revisar em Nosso Lar.
Uma união, seja ela qual for, é muito mais do que dois corpos entrelaçados em uma paixão carnal. Ela se constrói no caminhar lado a lado com aquele ou aquela que escolhemos amar, respeitar e com quem escolhemos aprender, para que, então, possamos trocar as mesmas sensações e vontades que também nos serão ensinadas, dia a dia, nos bons e maus momentos, no tempo que nos foi reservado para que, um dia, encontremos juntos a paz, a esperança e a fraternidade numa realização que, mesmo com altos e baixos, tem na fé e no amor, o ponto de equilíbrio para renovar o “sim” que, um dia, diante de um altar ou de uma simples mesa, elevamos ao alto, confirmando nosso compromisso de continuar a buscar a nossa regeneração com aquele ou aquela que escolhemos acompanhar por todos os dias que nos forem permitidos.
E, quando de nossa passagem, que possamos aguardar o dia em que novamente nos reuniremos na Seara de Luz com as bênçãos do Pai e o amparo da espiritualidade maior.
“Que seja eterno enquanto dure… e que dure para sempre”. Que as palavras do poeta possam exprimir nossa gratidão por esta oportunidade de ter ao nosso lado um anjo da guarda, um cúmplice, um amparo de toda uma vida.
Que assim seja!
Pelo Espírito de Maria Helena