OS PEQUENOS MOMENTOS

Nas diversas possibilidades de encarnações pelas quais nosso espírito retorna, em misericórdia divina, optamos por crenças e ações que possam nos redimir e nos ensinar a viver melhor conosco e com o próximo, sempre buscando conquistar uma maneira de refazer o caminho, transformando os atos falhos do pretérito na possibilidade do perdão e da regeneração. Mas é fato que, nestas vindas ao plano terrestre, existem momentos pelos quais passamos que não nos parecem ser tão importantes ou ter alguma relevância no contexto geral, seja por terem partido de nosso livre-arbítrio ou até por uma escolha muito minuciosa de outrora.

Nestes momentos, experimentamos dores passageiras, ausência de clareza reflexiva e até a perda temporária dos sentidos básicos ou capacidades que não acreditávamos ser possível perder, tendo, muitas vezes, somente a consciência de que isso só afeta o outro. 

Estes episódios, apesar de passageiros, têm um significado especial em nosso aprendizado espiritual e moral e nos atingem, geralmente, como se representassem um fim, e não como uma passagem, quando experimentamos dificuldades de descrever o que se ouve,  o que se vê e até aquilo que se sente no tato ou por outros sentidos. O que deveria significar que ainda assim, podemos perceber o que sentem e até sofrem para quem essa condição não representa apenas um momento de sua vida, mas uma realidade com a qual aprenderam a conviver, buscando ressignificá-la  para continuar o caminho. 

Por isso, é preciso estar atento aos inúmeros detalhes de nossa existência para aprender e perceber o quão importante é, para nossa caminhada, conseguir sentir o ambiente, o outro e a nós mesmos, para termos a certeza de que sabemos o significado da paciência e da resiliência para a continuidade da missão que escolhemos realizar. E quão importantes se tornam esses detalhes quando já nos habituamos a não lhes dar valor e até a não preservar o que temos enquanto podemos.

É preciso que saibamos agradecer por estes dons que Deus nos concede, permitindo-nos estar aqui lendo, contando e escutando aquilo que, até então, não nos parece ser um problema nosso, mas somente do outro. Por vezes, podemos até interpretar equivocadamente o sofrimento do outro como um castigo divino ou consequência de uma escolha anterior, quando na verdade, nem sempre conhecemos as causas das experiências vividas por cada irmão.

Enfim, que tenhamos a certeza de que nada nos é facultado sem um sentido de amor e de fraternidade. Temos de observar os detalhes que nos afligem de tempos em tempos e aprender a lidar com eles com muita fé e confiança em nosso Pai, que não nos deixa sofrer em vão e que pode nos ensinar, mesmo em meio à dor, aquilo que podemos transformar imediatamente em amor e esperança.

Agradece sempre que possível por estes pequenos momentos, porque eles te ensinam a viver melhor contigo e com o outro. Eles revelam formas de praticar a caridade e o amor ao próximo, dando-nos a oportunidade de auxiliar e de orar e até curar, através da prece e dos pensamentos, na certeza de que, seja agora ou depois, nada é tão difícil que não mereça a misericórdia e a piedade do Pai. 

E, quando este pequeno momento se torna uma vida,  agarre-se à certeza de que nada é para sempre e não é capaz de apagar a esperança de que amanhã será um novo dia. E tu, eu e todos nós poderemos despertar novamente para ver, ouvir e sentir o mundo de tantas formas, porque Deus é nosso Pai e nada nos faltará.

Basta acreditar!

Que assim seja!

Pelo Espírito de Ângela Maria Toledo