Não sinta vergonha de ter medo; da mesma forma, não sinta vergonha de ter pedido perdão. Somos todos compelidos pelos sentimentos e sensações que nos levam a criar coragem e a nos perdoar, porque isso faz parte do aprendizado de uma existência.
Aqueles que se julgam imbatíveis, geralmente sucumbem aos mesmos sentimentos , mas negam a realidade.
É preciso que aprendamos com nossas possíveis fraquezas, para que possamos superá-las todos os dias. Não somos sabedores de tudo; somos aprendizes da fé, do amor e do perdão. Por isso, não temos de nos menosprezar quando, por um instante, perdemos a fé e a confiança em nós mesmos, na espiritualidade e em Deus. Na verdade, não duvidamos do Pai por conta das soluções que não se apresentaram. Quando estamos neste hiato de confiança, não acreditamos em nós, porque nos esquecemos de lembrar, que somos parte de um todo: do Deus que habita em cada um de nós.
Somos levados à descrença no outro e na espiritualidade, mas cabe lembrar que Jesus também duvidou um dia, e acreditou que sua missão não havia surtido o efeito pretendido pelo Pai. Então, assim como nós, Ele se isolou e buscou respostas para as perguntas que talvez não fossem as certas. E elas não vieram da forma que imaginava, porque suas respostas já estavam com Ele, nos próprios ensinamentos que pregou na sua passagem pelo mundo.
Tais respostas estão sempre nos ensinamentos do Pai, mas, principalmente, na crença de que Deus nunca nos abandona nem nos dá um fardo maior do que podemos carregar.
A culpa, o medo e a descrença no perdão são, como já dito, hiatos de fé que se aproveitam de nós para criar dúvidas sobre o nosso amor e nossa capacidade de perdoar.
Precisamos estar atentos a eles e nos colocar em posição de reação imediata, trabalhando nossos sentimentos e nossa razão, para que não precisemos nos isolar do mundo, mas, sim, enfrentar nossas desconfianças gerando a certeza de que estamos sempre protegidos por nossos mentores espirituais e, principalmente, pelo Deus que habita em nós e jamais duvidou de nossa capacidade de amar e de modificar o coração dos homens e das mulheres de boa vontade.
Jesus entendeu e aceitou sua missão, que ainda não era finda, pois sabia que muitos não haviam compreendido sua mensagem; mas a semente jogada em seus corações criaria raízes e frutificaria, mesmo que, para alguns, não fosse de pronto. Mesmo assim, era preciso continuar a ensinar e a aprender, pois o único caminho possível para chegarmos ao Pai é aprender e praticar o amor, a paz e o perdão entre os homens.
Não se deixe enganar: a fé é uma força que, às vezes, parece contida, mas está dentro de você e de cada um de nós e sempre será nossa melhor arma e nosso melhor escudo, para continuarmos no caminho que nos leva à Casa do Pai.
Que Deus nos abençoe!
Pelo Espírito do Padre Júlio Maria