Falar sobre a morte é duro e penoso para os vivos.
Ela nos parece representar o fim, a distância, a saudade e o desengano em relação àqueles que mais amamos. Mas, de fato, ela é uma simples e direta passagem de um mundo para o outro.
Ela não é castigo divino nem o destino dos incautos e impuros.
Ela representa o fim de um ciclo de vida, para então iniciar uma nova vida. E apesar das histórias, não existe nela uma punição, senão a que nós mesmos criamos e levamos durante nossa existência corpórea, pois aquilo que tememos é somente a certificação da verdade daquilo que nós mesmos plantamos e que não fomos capazes de distinguir e recolher, apesar de sabermos que se tratava de erva daninha.
Após a passagem, na Sua infinita misericórdia, Deus nos concede a possibilidade do refazimento, da redenção e até de uma nova vida, para que possamos, agora plantar árvores e flores no jardim do mundo.
Não devemos e não podemos temer a morte, mas também não temos o direito de convidá-la para um passeio final, se esse não for um convite do Pai Maior, que sabe o momento e a hora que cada um de nós terá para o seu embarque.
A espiritualidade, através de seus mentores ou anjos da guarda, nos auxilia sempre nesta passagem e também no amparo para esta viagem. Por isso, temos que ter a certeza de que temos as qualidades necessárias para aguardar e viver o mais intensamente possível, na caridade, na fraternidade e na fé, antes do reencontro com os que já nos esperam no novo tempo.
Temos que ter a certeza de que deixamos muito amor e muita luz espalhados no coração daqueles que amamos e também daqueles a quem ainda não tivemos a chance de contar.
Podemos nos atribuir a missão de ensinar que tudo valeu a pena e que o que não foi dito é porque ainda não era o tempo.
Ensinar que é melhor fazer da vida e do amor — mesmo que seja depois de muita dor — uma lembrança de quem sabe que lutou o bom combate, mas que ainda tem muito por que lutar.
E por fim, mas não como um final, que tenhamos paciência e resiliência para saber que a morte não existe, sendo apenas uma boa viagem. Um novo ponto de desembarque de onde continuaremos a olhar para todos os que ainda não vieram, para que eles saibam que estamos juntos e vivos para sempre.
Pelo Espírito de Olga Pereira de Oliveira.