UM CONTADOR DE HISTÓRIAS

Aprendi a ser um contador de histórias, ainda na tenra idade, quando me reunia com meus colegas, criando e vivendo aventuras no quintal de nossa casa.

Alguns viam isso como uma fantasia de garoto, outros achavam graça, mas eu vivia estas aventuras dentro de meus sonhos e, tantas vezes, com meus amigos, que, à época, me diziam ser imaginários, mas que hoje sei, que permanecem comigo, ao meu lado, no caminho que escolhi trilhar. 

E isso não é mais uma história de criança…

Hoje ainda gosto de contar histórias. A história de uma vida, de um garoto que deixou de sonhar porque não mais acreditava no amor, na caridade, nos seus amigos imaginários; um garoto que perdeu a fé.

Fé que encontrava todos os dias à beira da saia da mãe, que o ensinava a rezar com fervor e a agradecer sempre, apesar das dificuldades e obstáculos por eles vividos.

Fé que fazia o garoto, de mãos dadas com o pai, visitar aos domingos a igreja e, depois, o santuário que era a casa dos avós que, assim como ele, contavam histórias sobre a vida, sobre a morte e sobre os melhores caminhos que nos levam ao amor.

Fé que levou o garoto, agora um jovem, a acreditar que fazia a diferença, a se ajoelhar,  a rezar e a pedir para que Ele, nosso Pai, intercedesse em nossas vidas, nossos caminhos e nosso destino.

Fé que se  perdera cada vez que perdia um amor, um amigo, um caminho. 

Fé que fez com que o homem, agora adulto, se tornasse frio, frívolo, desnecessário. E, apesar do muito que recebera, não tinha nada e, por isso, não deu a mão a seus filhos, não se ajoelhou nem rezou com sua companheira. Simplesmente não mais procurou a fé  e passou a acreditar num Deus que, para ele, não mais existia e que de nada lhe adiantaria.

Fé que não buscou no princípio da doença.

Fé que não o encontrou no leito, mas que nunca o deixou, assim como seus amigos imaginários e sua família.

Uma fé em que receberia o auxílio e a cura necessários, mas que não era dele, e sim de outros, e que foi tamanha e de tão forte apelo que foi atendida e o curou por grande parte de seu tempo de vida.

Fé de outros, mas que agora poderia ser sua novamente e o levou de volta ao templo, a ajoelhar-se, e a contar as histórias do homem que se esqueceu de Deus e que conhecera o pior lugar do mundo: a cidade dos sem fé.

Homem que contou com a ajuda de sua mãezinha, de seu pai e de seus amigos, todos  imaginários, e que, todos os dias, em seus sonhos, o levavam em direção à cidade-luz onde a paz e o amor habitavam. E juntos, lá encontraram novamente a fé e agora distribuem amor e pregam a fraternidade a todos os que um dia também perderam a sua.

E seguem juntos até hoje, ajudando a buscar o Pai Nosso, que está no céu e no coração dos homens, morando naquela cidade onde seus habitantes só se alimentam  do amor e o distribuem com muita fé.

Esta é a história do menino que se perdeu quando homem e hoje se encontra como mais um amigo imaginário ou, se preferirem,  um anjo da guarda, a buscar os que não mais acreditam que o Pai e a espiritualidade estarão sempre com eles e com todos aqueles que, mesmo sem a fé, possam saber que a temos em abundância e continuamos a acreditar em todos vocês.

Pelo Espírito de Coralina de Jesus.