HÁ MISERICÓRDIA NO CAOS

A morte não é o fim; ela se torna sempre o recomeço, seja para uma nova oportunidade reencarnatória, seja para dar continuidade ao trabalho fraternal, agora na Casa do Consolador.

Compreender os motivos que levam, muitas vezes, tantos irmãos e irmãs a desencarnar ao mesmo tempo, em um mesmo lugar, e, assim, buscar determinar de imediato que se trata de um processo de expiação coletiva torna-se uma consideração muito tênue.

A literatura espírita já nos mostrou alguns casos em que o desprendimento da matéria foi realizado por motivos passados e com irmãos que nem se conheciam neste momento reencarnatório. No entanto, nem sempre isso acontece desta forma.

O fato é que todos são levados ao seu porto seguro nos momentos anteriormente acordados, mesmo quando parecem exercer seu livre-arbítrio e antecipar sua volta.

Os desastres naturais, os acidentes involuntários e as formas como são realizadas as passagens nem sempre representam um elo entre estes espíritos, mas sempre são uma decisão gerada por eles.

O Pai, na sua infinita sabedoria, nos dá o direito de escolha em todos os momentos, e não seria diferente quando à nossa vontade de retornar à vida espiritual.

Cabe aos irmãos, ainda em seus ambientes terrenos e em suas casas corporais, buscarem o conhecimento e o merecimento, até para que sua passagem seja realizada de forma branda e segura, acompanhados — e sempre o são — pelos mentores do Consolador e pelos espíritos afins, que nos seguem todos os dias de nossa jornada.

Sabemos o quão doloroso é não entender os motivos de tamanha desordem vibratória e espiritual gerada por estes eventos. Buscamos, neste momento, abrandar os sofrimentos e auxiliar na passagem dos que ainda sofrem por não entendê-la.

Encontramos na prece a tentativa imediata de abrandar o sofrimento alheio e também o nosso;

Clamamos pelo auxílio dos anjos, mentores e guias;

Clamamos para que Jesus faça a intermediação junto ao Pai por estes irmãos e irmãs.

E tudo isso é válido e deve ser o papel de todo cristão verdadeiro: buscar o consolo espiritual e material para os que choram neste momento de dor.

Mas temos que compreender que, em muitos casos, precisamos também aprender com o caos e que tudo isso pode ser fruto de más escolhas realizadas por irmãos que não se preocuparam com o próximo nem consigo mesmos. 

Não é um apontar de dedo, mas de fazer um alerta aos amigos e às amigas, para que tenham sempre em mente que precisamos também de cuidar dos presentes que Deus nos concede.

Temos que preservar a casa Terra, a nossa morada e morada do espírito, preservando  também nossa saúde física e moral, para que não tenhamos que sofrer mais do que o necessário e combinado e, assim, possamos cuidar melhor da vida que nos foi concedida.

Oremos e vigiemos sempre. Que tenhamos a sabedoria e a atenção aos detalhes. Temos responsabilidade para com nossos irmãos e irmãs. E saibamos que providência divina virá em nosso socorro sempre que precisarmos. Basta que compreendamos o nosso papel e utilizemos nosso livre-arbítrio em prol do amor, da resiliência e da paciência para conquistar o direito a uma vida tranquila e a uma passagem para o trem da esperança, que nos levará sobre os tranquilos trilhos da paz, em direção à Casa do Consolador.

Que possamos, neste momento, pedir ao Pai que, na sua infinita misericórdia, vá em socorro destes nossos irmãos que sofrem com a injustiça e com o descaso dos homens, que escolheram usar os seus talentos em prol do egoísmo, da ganância, da preguiça e do desamor para com o próximo. Que eles também possam receber sua benevolência, Pai, pois não sabem a dor que causam quando desconhecem seus irmãos.

Que o Pai Todo-Poderoso possa nos abençoar e abençoar meu vizinho, os que se encontram além-mar, meus amigos, meus irmãos, e que a espiritualidade possa, neste momento, proteger e amparar os que sofrem.

Que assim seja.

Pelo Espírito de Marco Antônio Alvarenga