AO TRABALHO

E lhe disse o trabalhador das Obras do Consolador: “Suplicas a misericórdia do Pai; sofres com as dores da alma; se entregas-te ao vício, ao desalinho e à falta de moral, mas sois incapaz de perdoar… Perdoar a ti mesmo e ao outro. Encontrar nos ensinamentos de Jesus e de do nosso Pai a possibilidade da resignação. 

Não consegues entender que este ciclo não se encerra com a morte, mas simplesmente se reinicia em um novo tempo com toda a dor e sofrimento que ainda trazes contigo.

Irmão, compadece-te de ti mesmo e dos que esperam um simples gesto de amor e fraternidade para que juntos possam se reencontrar e começar daqui um novo momento, neste novo tempo, nesta nova vida.”

As palavras duras aqui proferidas são verdades que alguns de nós ainda temos de escutar para compreender o nosso papel neste mundo e no outro também. 

Somos sempre ensinados a entender o outro e a ter carinho e paciência com nosso próximo — uma certeza que temos de levar conosco sempre —, principalmente quando somos chamados pela mediunidade ao reencontro com nossos algozes e até  com nossas vítimas nas possibilidades do passado.

O fato é que é justa a busca pela misericórdia, mas devemos ter, antes de tudo, piedade e resignação por aqueles que, muitas das vezes, ainda não reconhecem o caminho e tampouco compreendem que se faz mister a paciência na busca pelo perdão. 

Somos chamados ao trabalho com irmãos e irmãs que nos parecem não querer mudar, que nos levam ao desânimo e até à desistência do auxílio fraterno. Mas cabe lembrar que esta é a nossa função e o nosso trabalho neste momento. 

A cada um de nós compete, de forma paciente e piedosa, encontrar nossos irmãos e auxiliá-los, mesmo aqueles que não querem este auxílio.

Foi-nos ensinado pelo Mestre Kardec e pelos Mentores Espirituais, que quando não encontrarmos a possibilidade da fala ou do auxílio direto, que devemos nos silenciar e falar com o coração, para alcançar a alma e o espírito de nossos irmãos.

Para isso, precisamos exercitar, sempre que possível, a prece, a resignação e a paciência.

Precisamos falar com a alma para atingir o espírito dos que se encontram em desalinho.

Precisamos exercitar o amor, mesmo que à distância, por todos os que de nós necessitam, enviando, através do pensamento, os fluidos necessários aos que sofrem, aos que clamam por misericórdia e aos que desconhecem que somente através do amor e da prece sincera poderão alcançar o Pai, que é misericordioso e que nos enviou o seu pronto socorro e, se assim for permitido, a cura para as dores do corpo e da alma, para que possamos continuar a trilhar o caminho em paz conosco mesmos e com o próximo. 

Somos todos obreiros do amor e da paz e, para isso, temos de nos exercitar todos os dias: na prece curativa, no amor incondicional e na paciência, mas principalmente, no perdão.

Não se deixe influenciar pelo seu legado espiritual.

Não se deixe levar pela vaidade do maravilhoso dom da mediunidade, mas use-o com sabedoria, perseverança, paciência e humildade, pois estás à disposição do trabalho. Faça-o com altivez e resiliência, respeitando os ensinamentos de  Jesus e de Kardec, e poderás, ao final dos dias, compreender e orgulhar- se de ter sido o melhor que pudeste ser, servindo com a alma e com o coração ao Pai, ao Filho e aos obreiros da Ordem do Consolador, com a certeza do dever cumprido e da tarefa executada com amor e fraternidade.

Mãos à obra, vamos trabalhar em prol dos nossos irmãos com toda a força e vibração desta nova vida.

Bom trabalho!

Pelo Espírito do Irmão Jésus Fonseca