A vida não é curta para os que já habitam o tempo…
O tempo é que se faz breve para a nossa vã sabedoria mortal; esta que não compreende que a vida é, simplesmente, o tempo que tem de ser.
Tempo de plantar e tempo de colher;
tempo de abraçar e de sorrir;
tempo de chorar e de pedir perdão.
A vida é o tempo que escolhemos ter. E quando nos parece que ainda não vivemos o suficiente, é porque ainda não aprendemos a contar o tempo de Deus: tempo de misericórdia, de amor, de acalentar a certeza de que sempre haverá tempo para viver.
O mistério, contudo, reside no tempo que perdemos… Quando calamos o amor ao próximo; quando nos demoramos na saudade que parece não ter fim.
É tempo de recomeçar.
A vida não é curta. Curto é o tempo que julgamos ser longo — este que projetamos até a velhice, mas que, às vezes, interrompe-se no caminho. Tempo necessário para nascer, crescer e amadurecer; para contemplar os pais por uma longa estação, ver os filhos se tornarem pais, abraçar netos e, quem sabe, bisnetos.
Tempo que nos acolhe na chegada, mas parece nos desamparar na saída… Justo no momento em que desfrutamos o melhor desta nossa jornada.
A vida não é curta, nem longa: ela é suficiente. Mas só descobriremos essa plenitude quando habitarmos o novo tempo, em outro lugar. Um lugar que não é distante, pois fica à distância de um pensamento de saudade, de paz e de amor. Fica logo ali… Do outro lado da vida.
Fiquem em paz. Vivam com tempo para vós mesmos e para os que amais; mas, principalmente, vivam o tempo que for necessário.
O Pai não nos tira a vida; Ele a renova, para que possamos continuar a pulsar no coração e na mente dos que ainda não compreenderam… Que o tempo de Deus não é o nosso tempo.
Fiquem em paz.
Pelo espírito de José Manoel de Nóbrega